quinta-feira, 15 de outubro de 2015

O feminismo e os homens: HeForShe e o lugar masculino no movimento.

O envolvimento de homens no movimento feminista é uma das mais polêmicas pautas de discussão interna do movimento. As opiniões sobre o assunto são muitas e diversas, passando por aquelas que acham que homens não deveriam participar do movimento at all e chegando naquela (que inclusive acreditamos ser a mais sensata) que defende a presença de homens no movimento feminista sim, porém com “fááááááárias” ressalvas.


Aquelas que defendem a existência masculina no movimento feminista acreditam que se devem deixar claros alguns pontos essenciais para a integridade do movimento. A primeira “condição” para que homens possam participar do movimento é mantê-los totalmente longe da frente feminista. Apesar de ser um movimento horizontalmente organizado, seria ilógica a ocorrência lideranças masculinas em um movimento que busca a equivalência social de gênero devido à depreciação feminina em uma sociedade aaaaaaaaaaltamente patriarcal. Além disso, é importante afastar aqueles que procuram o movimento feminista para pegar mulheres ou para simplesmente para se mostrar engajado para uma mulher (sim, minha cara, temos babacas desse naipe respirando nosso ar). Há também aqueles casos clássicos de homens “feministas” que realmente acreditam que podem ensinar mulheres a militar corretamente. A presença de homens no movimento feminista de rua é estimulado, desde que eles não tratem o ato como uma micareta, se fantasiando com batom e roupas femininas para tentar “””””representar as mulheres”””””.

Optamos por manter nossa pele com o mínimo de rugas de stress possíveis e vamos apenas olhar pra esses exemplos apresentados com um olhar digamos, de questionamento, para podemos prosseguir com nossa discussão.




Mas e aí, você que é homem e está nos lendo agora. Tá na dúvida de como ser feminista sem ferir o movimento? Claro que você está, é normal! Entre homens e mulheres, basicamente ninguém nasceu dentro do feminismo para saber tudo, pelo contrário, gradativamente, o feminismo nasce em você. Bom, se tá complicado ainda é por que você está no caminho certo! Para te dar aquele help, que tal seguir as dicas da Nádia Lapa, escritora da Carta Capital?


  • Nos seus ambientes masculinos, introduzindo o feminismo. No futebol com os amigos, no boteco, no café no intervalo na firma;
  • Não compartilhando, de jeito nenhum, imagens que diminuem a mulher ou que obviamente eram para uso íntimo e "vazaram" por um ex vingativo;
  • Posicionando-se contra seu colega de trabalho/faculdade/familiar que agrediu uma mulher;
  • Se ela estiver sozinha ou sem apoio, indo com ela a uma Delegacia da Mulher;
  • Propondo programas de equidade de gênero na empresa em que trabalha;
  • Não tratando a Marcha das Vadias como Carnaval ou micareta, se vestindo de mulher e passando batom. Ser mulher é muito mais difícil que isso. Proponha ao coletivo, por exemplo, ajudar na segurança da Marcha;
  • Compartilhando tarefas domésticas;
  • Não duvidando da palavra de uma mulher que foi vítima de agressão. Ela precisa de apoio, não de julgamento;
  • Se uma conhecida estiver bêbada na balada, certificando-se que ela chegou sã e salva em casa;
  • Deixando a mulher falar. A fala é dela. Não interrompa. Nunca. Ouça tudo;
  • Em hipótese alguma culpe a TPM por uma insatisfação real da sua amiga ou parceira;
  • Deixando de adquirir produtos e serviços que objetificam mulheres;
  • Parando de zoar o próprio filho ou o sobrinho por este querer um brinquedo que não é "de menino";
  • Abandonando de vez os xingamentos sobre a vida sexual da mulher (vadia, periguete, piranha).


             Você pode engrandecer sua mente lendo o artigo completo aqui!


Fizemos esse breve esclarecimento sobre o papel dos homens no movimento feminista pois trataremos agora de nosso assunto principal. O programa HeForShe, criado pela ONU para dar mais força ao movimento feminista.

O HeForShe, chamado no Brasil de “ElesPorElas”, consiste em um órgão que canaliza a vontade de homens de todo o mundo em contribuir para a elevação do gênero feminino ao status de igualdade para com o masculino, uma vez que estes tem ciência da discrepância social que é ser mulher em uma sociedade patriarcal em todas as esferas possíveis, como a de segurança, emprego, mídia e etc. Através do HeForShe, pessoas de todo o mundo podem se inscrever gratuitamente para fins de se somar aos milhares de homens que apoiam a causa. No site da iniciativa, é possível acompanhar um mapa que informa a quantidade de homens inscritos em cada país, o que traz força para o movimento. Ainda é possível adquirir produtos como camisetas e broches ou fazer doações diretas, que serão direcionadas para políticas voltadas para as mulheres em todo o mundo.




A campanha da ONU traz a atuação masculina para o movimento feminista na medida certa. Não serão eles os protagonistas, todo o mérito que eles receberão será limitado ao mérito colaborativo, o que não é, de fato, negativo. Muitos homens questionam o movimento feminista pois acreditam que este quer se lançar sobre suas existências e apenas alternar as alocações de oprimido e opressor. Todavia, campanhas como o HeForShe, aliadas à educação e políticas publicas voltadas para as mulheres, tem um potencial enoooooorme de mudar esse paradigma patriarca. É uma questão de ação, posicionamento e PRINCIPALMENTE, respeito, pois parça, O FEMINISMO É DELAS!

Bibliografia:



PATROCÍNIO, Carol. 2015. LUGAR DE MULHER. No meu feminismo tem homens, assim como no resto do planeta. Disponível em: <http://lugardemulher.com.br/no-meu-feminismo-tem-homens-assim-como-no-resto-do-planeta/>. Acesso em 15 de Out 2015.

MARQUES-SAMEN, Henrique. 2013. BLOGUEIRAS FEMINISTAS. Homens (pró-)feministas: aliados, não protagonistas. Disponível em: <http://blogueirasfeministas.com/2013/04/homens-pro-feministas-aliados-nao-protagonistas/>. Acesso em 15 de Out 2015.

LAPA, Nádia. 2013. CARTA CAPITAL. O papel dos homens no feminismo. Disponível em: <http://www.cartacapital.com.br/blogs/feminismo-pra-que/o-papel-dos-homens-no-feminismo-4622.html> Acesso em: 15 de Out de 2015.

HeForShe. Disponível em: <http://www.heforshe.org/> Acesso em 15 de Out de 2015.


LUGAR DE MULHER. He For She: se não agora, quando? Disponível em: <http://lugardemulher.com.br/he-for-she-se-nao-agora-quando/> Acesso em: 15 de Out de 2015

Políticas de proteção à mulher: Lei Maria da Penha e o que aprendemos so far

Ola queridxs!
Já sabemos que a violência existe desde que o mundo é mundo e ocorre em todos os países e níveis sociais, de diferentes maneiras. Hoje vamos nos ater a comentar sobre o problema da violência ocorrida mais especificamente com as mulheres, no Brasil, e quais políticas já foram articuladas com vistas à proteção da mulher no país. 

 
Além disso, o que é ainda mais grave, é que essa violência contra a mulher acontece em casas, na esfera íntima, entre maridos e mulheres, namoradxs, famílias. No gráfico abaixo é gritante a proporção em que em 82,82,% dos casos a relação entre vítima e agressor é afetiva. Ou seja, namorados praticam violência com suas parceiras (COMPROMISSO E ATITUDE, 2015).


Fonte: COMPROMISSO E ATITUDE, 2015

Vale dizer que 'violência' não diz respeito apenas à agressão física mas também à:
violência psicológica - conduta que cause dano emocional à vítima
violência sexual - conduta que constrange a vítima a realizar relações sexuais sem seu consentimento
violência patrimonial - conduta que retenha ou destrua qualquer bem da vítima, sendo estes instrumentos de trabalho, objetos pessoais, recursos econômicos, dentre outros.
violência moral - conduta de difamação, humilhação ou injúria à vítima (PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA,2006).
 
Digamos que a política "carro-chefe" de proteção à mulher consiste na Lei Maria da Penha que a Violência Doméstica como um ato de violação aos Direitos Humanos. Portanto baseia-se prevenção da violência doméstica e familiar contra as mulheres.

A Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) representa uma grande conquista dos movimentos feministas em busca da erradicação, prevenção e punição da violência contra a mulher. Ela é o resultado de muitos anos de luta para que as mulheres brasileiras pudessem dispor de um instrumento legal próprio que assegurasse seus direitos e para que o Estado brasileiro passasse a enxergar a violência doméstica e familiar contra a mulher (SECRETARIA DE POLÍTICAS PARA AS MULHERES, 201, p.01).
 
 
Até o ano de 2014, oito anos após a criação da Lei, era perceptível a procura e denúncia das mulheres vítimas às autoridades cabíveis. Esse processo facilita o mapeamento da violência. Cresceu em 20% o número de mulheres que denunciam a violência sofrida por elas e, desde o ano de criação da Lei, registrava-se cerca de 3,6 milhões de ligações por denúncia (LEI MARIA DA PENHA..., 2014).
 
 
Já é um passo gigante né?! 
Mas é claro que o problema maior ainda não se resolveu. A violência continua porque ainda reverbera o pensamento de que a mulher, apenas por ser mulher, tem que se submeter aos desejos do homem, ou do seu marido, ou de seu pai, ou de seu tio e etc. Ainda vivemos em uma sociedade pautada por regras basicamente patriarcais. Daí a importância da reeducação, ou do reconhecimento do agressor enquanto puro e simples agressor. É importante a desconstrução de uma cultura pautada nestes valores. E políticas e leis como a Lei Maria da Penha são responsáveis por demonstrar ou clarificar uma realidade que agride os direitos fundamentais da mulher, o que consequentemente aumenta a visibilidade da violência e faz com que autoridade políticas e mesmo a população perceba os perigos e a incidência da violência doméstica e feminina.
A garantia dos direitos protetivos à mulher, portanto, devem ir além da criação de leis, pois na prática as coisas podem ser diferentes. Mesmo assim, há que se comemorar, já que legalmente é reconhecida a proteção feminina. Vale citar a Política de Enfrentamento à Violência contras as Mulheres que tem como objetivo garantir o estabelecimento de diretrizes e ações de prevenção à violência baseando-se nos Direitos Humanos e legislação Nacional e explicita os fundamentos de orientação e criação de Políticas Públicas focadas na violência contra a mulher (COMPROMISSO E ATITUDE, 2012).
Para acessar o Plano Nacional de Políticas para as Mulheres clique aqui

Beijos de luz e até a próxima!


 
 
Referências Bibliográficas
COMPRIMISSO E ATITUDE. Dados e Estatísticas sobre violência contra as Mulheres. Disponível em: <http://www.compromissoeatitude.org.br/dados-e-estatisticas-sobre-violencia-contra-as-mulheres/> 
 
COMPROMISSO E ATITUDE. Política Nacional de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres. 2012. Disponível em: <http://www.compromissoeatitude.org.br/politica-nacional-de-enfrentamento-a-violencia-contra-as-mulheres/>
 
 RBA. LEI MARIA DA PENHA completa oito anos e amplia proteção às mulheres. 2014. Disponível em: <http://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2014/08/lei-maria-da-penha-completa-oito-anos-e-numero-de-denuncias-cresce-3123.html>
 
SECRETARIA DE POLÍTICAS PAR AS MULHERES. Lei Maria da Penha. 2011. Disponível em: <http://www.spm.gov.br/assuntos/violencia/lei-maria-da-penha/lei-maria-da-penha-indice>
 
PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA. Lei Maria da Penha. 2006. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11340.htm >
 

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Mãe e aluna: creches nas Universidades Públicas Brasileiras

Olá queridxs, hoje vamos falar sobre creches e apoio estudantil para mães estudantes.  Pode parecer um assunto distante da sua realidade – caso você não seja mulher, ou mãe- mas, a verdade é que qualquer uma de nós, jovens universitárias, poderíamos ficar grávidas durante a graduação, ou estudos de pós, mestrado etc.

E a verdade é que na atual realidade de brasileira isso significaria, para muitas, o abandono dos estudos. Infelizmente não encontramos no Brasil, um sistema de políticas públicas efetivas para o atendimento de mães universitárias. Apesar dos pequenos avanços, ainda são poucas as Universidades Públicas que oferecem creches ou qualquer tipo de apoio estrutural ou financeiro para as mulheres que são mães e estudantes.

Em países como o Canadá e Estados Unidos, diversas universidades oferecem serviços de creche e para os filhos de jovens estudantes. Tudo bem, você pode me dizer que muitas universidades nesses países não são públicas e por isso são capazes de oferecer esse tipo de serviço. PARA TUDO COLEGA, existem programas públicos, ou seja, gratuitos. Existem também programas de creches com mensalidades determinadas a partir do estudo socioeconômico de cada família, ou seja, os pais pagam aquilo que podem e tem acesso a creches de boa qualidade. Mais legal ainda é que, esses serviços se estendem não apenas ao ensino superior. Existem diversas unidades de ensino médio que são preparadas para atender adolescentes grávidas e jovens mães.

Mas, voltando aqui pro cenário brasileiro...

Aqui a realidade é bem diferente. Como já citamos em um post anterior, as mulheres são, atualmente, a maioria entre os que ingressam em cursos superiores. Apesar disso, são as que mais sofrem para conseguir concluir seus cursos dentro do tempo previsto. Dentre os diversos fatores, que se tornam desafios para as mulheres concluírem seus estudos, se destaca a ausência de uma “uma política afirmativa de assistência para as estudantes mais necessitadas”. Com destaque ainda maior para a situação das estudantes mães, que não conseguem, muitas vezes, conciliar os estudos com os cuidados dos filhos.


Segundo a ANDIFES Associação Nacional Dos Dirigentes Das Instituições Federais De Ensino Superior, muitas jovens estudantes não tendo com que deixar seus filhos, enquanto estão nas salas de aulas, se veem obrigadas a trancar suas matrículas e até mesmo abandonar o curso superior. Segundo pesquisa realizada pela associação, em 2011, 68% dos trancamentos de matrícula são por licença maternidade. A pesquisa mostrou ainda, que cerca de 40% das estudantes que são mães fazem uso das creches universitárias, nas 19 instituições que oferecem esse serviço.  O que o estudo não mostra, mas é fato, é que as jovens universitárias que não fazem uso do serviço de creche, não o fazem, simplesmente porque não existem vagas suficientes para atender a demanda. 
  
E, infelizmente,  o número de universidades que oferecem o serviço de creche ainda é muito pequeno... 

No inicio deste ano o caso de uma aluna da USP se tornou notícia quando esta jovem mãe foi assistir a aula com seu filho no colo.  Ela declarou que,

“Já usei todo o tempo de trancamento que poderia, 3 anos. Tenho que voltar ou perco a vaga. Não tenho escolha”, conta a estudante. “Além da questão financeira, de eu precisar trabalhar e o Chico precisar de um ambiente mais adequado pra idade dele, eu preciso voltar pra graduação ou vou perder tudo o que fiz até hoje.” (FEMMATERNA, 2015)

O mais triste é que essa mulher não é uma exceção, existem milhares de jovens que se veem na mesma situação, diariamente. E esse modelo atual, onde as jovens estudantes – e isso vale também para mulheres que são mães e trabalham fora de casa – não têm onde deixar seus filhos é resultante de uma sociedade patriarcal onde historicamente a mulher tem sido excluída do espaço público. Uma sociedade onde o papel da mulher se limita apenas aos afazeres domésticos, a educação dos filhos e desejos do marido. Mas o mundo está mudando (ALELUIA), a custa de muita luta a mulher tm alcançado seu espaço no mercado de trabalho e nas instituições de ensino, brasileiras. Mas, infelizmente nosso Estado e sociedade não têm avançado junto com a trajetória das mulheres. Não conseguindo,portanto, oferecer suporte e serviços eficientes que atendam as necessidades da nova realidade da mulher, mulher que tem direito de trabalhar, direito de estudar, direito de ser mãe, de ser mãe e estudar e trabalhar ao mesmo tempo.

Em 1972, na UFRGS, foi criada a primeira creche em universidade federal, como consequência da eclosão de vários movimentos sociais na década de 70. De lá pra cá o número de creches aumentou, entre os anos 1980 e 1992, por exemplo, foram inauguradas outras 15 creches. Apesar disso, o ritmo e de criação e a quantidade de creches universitárias ainda está muito abaixo da necessária. Atualmente existem ativas cerca de  29 creches em Instituições Federais de Ensino Superior, que  não conseguem atender a demanda de universitárias, servidoras e comunidade em geral. 

Além da oferta de creches em si, deve ser pauta de discussão auxílio financeiro ou auxílio-creche. O auxilio creche, por exemplo, é um auxilio financeiro que algumas instituições de ensino superior oferecem para complementar a renda de jovens estudantes que são mães. O auxilio é destinado ao pagamento de creches. A UFPR (Universidade Federal do Paraná) presta esse auxílio deste 2013. Porém, o número de jovens atendidas ainda é muito pequeno. Em 2014, 42 estudantes foram aprovados para receber a bolsa... muitos ainda ficam de fora do programa.

Fica claro que o Estado precisa trabalhar em políticas públicas para suporte de mães universitárias e a criação de novas creches para atender a demanda que tende a crescer conforme as mulheres avançam na sua participação em instituições de ensino superior. A criação de novas creches e políticas publicas de assistência a mães universitárias é uma medida urgente e necessárias. As creches são essenciais para permitir que as mulheres consigam terminar seus estudos, além de ser um direito da criança que precisa de assistência e ambiente adequado para crescer e se desenvolver. Por fim,  para promover uma universidade popular, para permitir o acesso igual a todos a um ensino superior de qualidade é preciso pensar na inclusão de jovens mães, porque as mulheres chegaram nas Universidades e não vão sair de lá não minha gente!! Todo lugar é lugar de mulher :D 

Referências Bibliográficas:

ANFIDES. Perfil Socioeconômico e Cultural dos Estudantes de Graduação das Universidades Federais Brasileiras. Fórum Nacional de Pró-Reitores de Assuntos Comunitários e Estudantis (FONAPRACE). Brasília - 2011. Disponível em: <http://www.andifes.org.br/wp-content/files_flutter/1377182836Relatorio_do_perfi_dos_estudantes_nas_universidades_federais.pd>
 HALABI, Giulia. Auxílio financeiro permite que mães estudantes terminem a graduação. Publicado em 16 de set, 2014. Disponível em: <http://www.jornalcomunicacao.ufpr.br/auxilio-financeiro-permite-que-maes-estudantes-terminem-a-graduacao/>
PIRES, Yuri. Pelo direito de trabalhar e estudar: creche universitária já!. Publicado em 3 de set , 2012. Disponível em: <https://rebelesenaune.wordpress.com/2012/09/03/pelo-direito-de-trabalhar-e-estudar-creche-universitaria-ja/>
RAUPP, Marilena D. Creches nas universidade federais: questões, dilemas e perspectivas. 2004. Disponível em:<http://www.scielo.br/pdf/es/v25n86/v25n86a10.pdf>
VIEIRA, Amanda. Ampliação de creches nas universidades é necessária para garantir autonomia das mulheres. Publicado em 1 de mai, 2015. Disponível: <http://femmaterna.com.br/ampliacao-de-creches-nas-universidades-e-necessaria-para-garantir-autonomia-das-mulheres/>





segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Outubro Rosa: Conscientização, Sororidade e luz, muita luz!

A cor de rosa desde sempre é considerada uma cor exclusiva das meninas, de uso único e inquestionável feminino. Esse paradigma das cores é motivo para uma longa e profunda discussão sobre as imposições sociais que as mulheres devem engolir e continuar a sorrir, porém hoje nós não lamentaremos tal associação, única e exclusivamente pelo fato de pessoas MARAVILHOSAS terem conseguido dar um novo significado para a relação das mulheres com a cor de rosa: O OUTUBRO ROSA.



Pra quem não conhece, o Outubro Rosa trata de uma iniciativa anual para fomento à prevenção do câncer de mama, principalmente em mulheres com faixas etárias consideradas de alto risco de vulnerabilidade para a doença. O mês escolhido para levantar a campanha foi outubro, temporalmente distante do mês das mulheres (março), logo acreditamos que a escolha do mês foi estratégica e benéfica, pois não se confunde com nenhuma outra data relacionada às mulheres, mães, etc., o que traz originalidade e maior visibilidade para a campanha.

Surgido nos EUA, onde vários Estados tratavam isoladamente da questão do câncer de mama e/ou mamografia durante o mês de outubro, o que posteriormente foi aprovado pelo Congresso Americano a oficialização do mês de outubro como sendo o nacional (americano) para se tratar de tal questão.


O laço rosa, símbolo da campanha, é de autoria da Fundação Susan G. Komen for the Cure, que produziu e distribuiu lacinhos cor-de-rosa para os participantes da primeira Corrida pela Cura, que aconteceu em Nova York, em 1990. Em 1997, entidades das cidades de Yuba e Lodi no EUA, deram início efetivo às comemorações e ações de prevenção do câncer de mama. Todas as ações era e são até hoje direcionadas a conscientização da prevenção pelo diagnóstico precoce.


As ações do Outubro Rosa cresceram progressivamente. Inicialmente apenas como uma campanha eventual, o movimento ganhou força e conseguiu germinar sementes em vários pontos do globo, estando entre os de maior destaque, ações realizadas no Brasil. A maior marca de divulgação da campanha é a iluminação cor-de-rosa de pontos turísticos ou pontos visualmente chamativos. O apelo visual é impactante, pois observar a “cor de menina” associada a monumentos colossais, passa a mensagem da força feminina e da importância da preocupação com o câncer de mama.


Além da iluminação, campanhas midiáticas e realização de eventos como a pedalada ocorrida em plena Avenida Paulista no dia 04 de Outubro, a campanha promove a circulação de unidades móveis de mamografia para aumentar o acesso ao exame por parte de comunidades carentes que não contam com o aparelho em suas unidades de saúde popular. Os mamógrafos móveis são caminhões equipados para realizar a mamografia. Eles estão percorrendo cidades para levar o exame às regiões onde não existe o equipamento ou onde a demanda é muito grande. Assim, todas as mulheres terão a oportunidade de realizar a mamografia.

O estado de Minas Gerais desenvolveu uma campanha que utiliza de modernos recursos de marketing para ajudar na promoção do Outubro Rosa. Nomeada #NaoEnrolaSueli, a campanha publicitária desenvolvida para o Outubro Rosa 2014 traz a personagem "Sueli" como protagonista. Com o tema "Não enrola, Sueli", as peças incentivam as mulheres na idade de risco a fazerem a mamografia. 

Vídeo da campanha:


Bibliografia:
http://www.saude.mg.gov.br/outubrorosa
http://outubrorosa.org.br/historia/
http://ww5.komen.org/WhatWeDo/AroundtheWorld/AroundtheWorld.html


quinta-feira, 1 de outubro de 2015

"Deeds, not words" - As suffragettes e o movimento revolucionário da luta pelo direito feminino ao voto

Olá queridinhxs!
A luta feminista vem sendo muito divulgada. Nas redes sociais, nas várias mídias. Isso é muito bom. Porém, pouca gente sabe que o feminismo foi se fortalecendo através de uma série de movimentos femininos que lutavam pela igualdade das mulheres, a nível social, mas também perante as leis. Os primeiros movimentos feministas advém do século XIX, liderados por mulheres que lutavam pela concessão do direito ao voto para as mulheres.
Hoje vamos conhecer as Suffragettes!


O termo Suffragettes origina-se de Sufrágio, ou direito de voto. As primeiras ativistas feministas surgiram no século XIX, na era pós-Revolução Industrial. O movimento teve início no Reino Unido, no ano 1897, com a criação da União Nacional pelo Sufrágio Feminino, pela educadora britânica Millicent Fawcett. A luta pelo sufrágio feminino, iniciada de forma pacífica, questionava o porquê da desconfiança social de que mulheres pudessem exercer participação no processo de elaboração de leis britânicas. Por adotarem movimentos de cunho pacíficos, essas líderes eram conhecidas como "sufragistas". 
As leis direcionavam-se também à elas, mas as mesmas não podiam exercer o ato de voto político. As alegações que impediam a participação das mulheres no voto baseavam-se em um discurso filosófico de que as mulheres seriam incapazes de compreender a funcionalidade do Parlamento Britânico, e, por isso, não eram aptas a votarem.
Millicent Fawcett -  movimento "sufragista constitucionalista"
Esse discurso sem pé nem cabeça inflamou os movimentos revolucionários de luta pelo sufrágio feminino e as "sufragetes", no ano de 1903 - com a criação da União Política e Social das Mulheres (ou WSPU) - foram às ruas lutar por seu direito de igualdade perante a formulação de leis. Com uma abordagem mais "inflamada", as sufragetes utilizavam o lema "DEEDS, NOT WORDS" ("ações, e não palavras"), reinvindicando uma movimentação que fosse além do discurso e se refletisse na prática. Essa era a diferença entre as sufragistas e as sufragetes. Enquanto as primeiras adotavam uma qualidade de moderação e constitucionalidade, pautadas no diálogo político, as sufragetes alegavam que essa abordagem era ineficaz e a luta nas ruas era necessária. A líder desse movimento era  Emmeline Pankhurst.

Emmeline Pankhurst - movimento sufragete de lema 'DEEDS, NOT WORDS'
Os dois movimentos trabalharam juntos em prol do sufrágio feminino. E o movimento das sufragetes, com sua sede oficial em Londres, foi criando força dentro do cenário político britânico, nas ruas, em tudo quanto é canto até que conseguissem lançar uma campanha de cunho nacional.

"[as sufragetes] desafiavam os deputados liberais; marcavam nos passeios os avisos de comícios e ações a serem levadas a cabo; partiam em bicicletas para divulgar as acções da WSPU pelos subúrbios londrinos; reuniam-se com as operárias às portas das fábricas na hora de almoço; produziam e encarregavam-se da distribuição da propaganda da WSPU por todo o Reino Unido." (ABREU, p.463 2002)

O movimento sufragete ocorreu em meio a muita violência. Mesmo com todo o trabalho de militância das líderes, a política da época não dava o braço a torcer e muitas mulheres participantes do movimento foram presas e sofriam, no encarceramento, com processos de tortura como o da "alimentação forçada". Ao realizarem greve de fome, as militantes encarceradas eram forçadas a se alimentarem através de tubos enfiados em suas gargantas.
A luta sufragete teve resultados, após muita violência e repressão política, no ano de 1918, com a reforma eleitoral em que o Parlamento Inglês finalmente reconheceu o direito feminino, agora expresso pelo direito do voto! UFA!!

O movimento sufragista britânico também teve respaldos em outros países, como nos Estados Unidos. E claramente o papel dessas mulheres se reflete até hoje. Na busca pela igualdade de gênero a política de sufrágio feminino tem todo o sentido, e, para a época, representou uma movimentação política nunca antes vista, principalmente por ser formada apenas por mulheres, que na época ainda sofriam todo tipo de adequação patriarcal. Ainda assim, esse movimento não foi o primeiro na percepção de igualdade de direitos entre homens e mulheres, e é possível encontrar obras mais antigas que tratam sobre essa pauta, como a obra de Mary Wollstonecraft Uma Reinvindicação pelos Direitos da Mulher, publicada em 1792.

"Não desejo que as mulheres tenham poder sobre os homens, mas sobre si mesmas".

E a luta continua pra honrarmos esses seres maravilhosos existentes na política e na luta pelos movimentos de igualdade de gênero e deixarmos pras próximas gerações um mundo menos desigual, do jeitinho que elas fizeram :D


Por falar em sufragetes, dia 23 de outubro estréia no cinema o filme biográfico da luta pelo Sufrágio Feminino, e há boatos de que ele vai entrar até na corrida pelo Óscar. ÊTA MULHERES MARAVILHOSAS.
No mais, ficamos por aí, e deixamos aqui o trailer pra você dar um conferida!


Beijos de luz e até a próxima!





Referências Bibliográficas
ABREU, Zina. LUTA DAS MULHERES PELO DIREITO DE VOTO movimentos sufragistas na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos. 2002. p.443-469. Disponível em: <http://repositorio.uac.pt/bitstream/10400.3/380/1/Zina_Abreu_p443-469.pdf> Acesso em 01 out. 2015

BBC. The Women's suffrage movements. Disponível em: <http://www.bbc.co.uk/bitesize/higher/history/britsuff/suffrage/revision/1/> Acesso em 01 out. 2015

BBC. Suffragettes. Women Recall their struggle to win the vote. Disponível em: <http://www.bbc.co.uk/archive/suffragettes/> Acesso em 01 out. 2015

MCDOWALL, Carolyn. Suffragette - Emmeline Pankhurst, Women of influence. Disponível em: <http://www.thecultureconcept.com/circle/suffragette-emmeline-pankhurst-leading-women-of-influence> Acesso em 01 out. 2015

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

O papel do movimento feminista na construção da “agenda” de gênero no Brasil e políticas públicas

Hellou amigas e amigos! Hoje, vamos falar um pouco sobre o processo de inclusão de questões de gênero nas políticas públicas brasileiras, e com isso vamos falar da importância do movimento feminista no surgimento da “agenda” de gênero do Brasil.

Vale lembrar que, a inclusão da pauta igualdade de gênero na formulação de políticas públicas brasileiras ainda é um processo em construção.  Esta incorporação, em grande parte reflete  a agenda formulada por movimentos de mulheres e entidades feministas, assim como prioridades estabelecidas por outros movimentos nos quais a presença de mulheres é decisiva, como nos movimentos de moradia. Daí meu amores a gente percebe a importância da luta feminista!! A gente precisa sair nas ruas mesmo, organizar mobilizações, grupos de debate/estudos, dentro das universidades, no bairro, no trabalho etc. São esses movimentos feministas que começam em pequenos grupos que geram pressão e dão espaço para novas demandas, sociais e políticas, que passam a ser incorporadas pelo governo.

Bom, vocês devem ter percebido que o post de hoje tem um teor assim, mais “acadêmico”, mas não fiquem com preguiças, ok?! Leiam até o final!! Prometo que o conteúdo é super relevante! Nas verdade, vamos fazer um parênteses aqui para explicar o por que do tema de hoje. Tudo gira em torno da palavra desilusão! A verdade é que, toda feminista já passou por momentos de desânimos com a causa, seja por conflitos de ideias fora ou até mesmo dentro do movimento.... Foi exatamente nesse cenário  de desilusão que nós nos deparamos com um artigo MA-RA (tá lá na bibliografia, migs) sobre o histórico das políticas publicas de gênero no Brasil, Entre as linhas deste artigo, ficou claro que a nossa luta não muda apenas a comportamento das pessoas em seus núcleos familiares, de amigos e trabalho. A luta feminista assim como a luta de diversas minorias é essencial para movimentar os governos!! São a partir das  nossas demandas que surgem programas e políticas públicas que ajudam o nosso país  – mesmo que em pequenos passos – a alcançar a igualdade de gêneros. Então, se você já passou por esse momento de desilusão na luta, ou está passando por isso... JUST HANG IN THERE, M'FRIEND! 

Bom, depois dessa sessão desabafo, vamos voltar a nossa reflexão “acadêmica”....O que se percebe ao longo da história das políticas públicas, é que a inclusão da questão de gênero na agenda governamental ocorreu como parte do processo de redemocratização - estamos falando ali no período das lutas contra a ditadura, momento super importante para a participação feminina na vida política e na militância- , o qual significou a inclusão de novos atores no cenário político e, ao mesmo tempo, a incorporação de novos temas pela agenda pública.

E esse processo de inclusão de novos atores diz respeito também, e principalmente, a atuação dos movimentos sociais. Assim, a história dos movimentos sociais é também a história da constituição das mulheres como sujeito coletivo. Somente quando a mulher se encontra como sujeito coletivo que ela sai da esfera privada (a única esfera a qual ela cabia ao longo da história) e passa a atuar na esfera pública! A mulher passa a atuar ativamente nos movimentos sociais, abrindo caminho para debates sobre a condição da mulher brasileira.

Como mencionado anteriormente, ao longo da história, a participação da mulher enquanto sujeito político ganhou maior destaque nas lutas pela redemocratização, esse foi talvez um dos mais importantes "empurrões" para que questões ligadas a mulher ganhassem espaço na discussão política nacional. Começam a ser discutidas questões sobre reprodução, desigualdade salarial, direito a creches, saúde da mulher, sexualidade/contracepção e violência contra a mulher.

Em resumo, à medida que nos anos 80 que a democratização avançava, a forte atuação das mulheres nos movimentos sociais resultou na formulação de propostas de políticas públicas que contemplassem a questão de gênero. Já nos anos 90, temos a  Conferência Mundial sobre a Mulher, realizada, em 1995, em Beijing. Essa Conferência foi um outro "empurrão" que levou de encontro a trajetória dos movimentos das mulheres no Brasil com as principais instâncias do governo. Passam a ser incluídas na agenda brasileira de políticas públicas temas como:


Violência: Observa-se, por exemplo, a criação de programas que atendam mulheres vítimas de violência doméstica e sexual, incluindo atenção integral (jurídica, psicológica e médica) e criação de abrigos;

Saúde: Implantação efetiva do PAISM - Programa de Atenção Integral à Saúde da Mulher, com o desenvolvimento de ações de atenção à saúde em todas as etapas da vida da mulher, incluindo questões como saúde mental e ocupacional da mulher, sexualidade, doenças sexualmente transmissíveis, prevenção do câncer e planejamento familiar, de forma a superar a concentração na saúde materno-infantil.

Meninas e adolescentes: Reconhecimento de direitos de meninas e adolescentes, por meio de programas de atenção integral, com ênfase a meninas e adolescentes em situação de risco pessoal e social.

Geração de emprego e renda e combate à pobreza: Apoio a projetos produtivos voltados à capacitação e organização das mulheres, à criação de empregos permanentes para o segmento feminino da população e ao incremento da renda familiar.

Educação: Garantia de acesso à educação. Reformulação de livros didáticos e de programas, de forma a eliminar referência discriminatória à mulher e a aumentar a consciência acerca dos direitos das mulheres

Trabalho Garantia de direitos trabalhistas e combate à discriminação: Reconhecimento do valor do trabalho não-remunerado e minimização de sua carga sobre a mulher. Promoção de infra-estrutura urbana e habitação, construção de equipamentos urbanos priorizados por mulheres e garantia de acesso a títulos de propriedade da habitação a mulheres.

E muitos outros temas...

O que observamos, por fim, é que a força dos movimentos feministas brasileiros – principalmente a partir dos anos 80 -  influenciarem a definição das políticas públicas para mulheres e a criação dos espaços institucionais com o objetivo de buscar a igualdade entre os gêneros. Vale destacar, ainda, a criação, por exemplo, do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher e a Secretaria Especial de Políticas Públicas para as Mulheres que se deu durante esse período.

Enfim queridxs, esse post foi uma tentativa de mostrar que sem a mobilização do movimento feminista nada disso seria possível! O movimento da mulher no Brasil é essencial para que questões de gênero ganhem a atenção e destaque que merecem na ”agenda” de politicas públicas do governo.

Ou seja, stay strong!! Feminism shall never die!!! Apesar dos momentos de desanimo, dos retrocessos políticos que a acompanhamos na mídia, dos desafios do dia-a-dia, saiba que por menores que forem, toda atitude feminista e debate feminista levantado são a maior força do nosso movimento e são os principais catalisadores das mudanças politicas que nosso país tanto precisa.

E como essa sexta-feira foi marcado por um debate feminista lindo, vamos deixar aqui uma dedicatória especial desse post para o querido Prof. Leandro Rangel, cuja disciplina “Temas em Relações Internacionais: políticas públicas sobre gênero e a questão feminista" trouxe as discussões feministas para sala de aula, antes inexistente, em um dos cursos com maior número de mulheres ever haha da PUC, e intencionalmente, ou não, plantou uma sementinha linda, que deu animo e força para nós, que acreditamos na igualdade social, política e econômica entre os sexos.


É isso ai pessoal, vamos continuar, da maneira possível, lutando pelo espaço que das mulheres e obviamente não vamos colocar meta. Vamos deixar a meta aberta mas, quando atingirmos a meta, vamos dobrar a meta. Flw, vlws.

Beijos de luz!!


Referência bibliográfica:
GODINHO; Tatau (org.); SILVEIRA, Maria Lúcia da (org.). Igualdade de gênero. São Paulo: Coordenadoria Especial da Mulher, 2004. 188 p. Disponível em: http://library.fes.de/pdf-files/bueros/brasilien/05630.pdf
UNMULTIMIDIA.ORG. Nenhum país do mundo conseguiu atingir a igualdade de gênero. Publicado em 17 de jul. 2015. Disponível em: <http://www.unmultimedia.org/radio/portuguese/2015/07/nenhum-pais-do-mundo-conseguiu-atingir-a-igualdade-de-genero/#.VgV93stViko>
MIRANDA; Cynthia Mara. Os movimentos feministas e a construção de espaços institucionais para a garantia dos direitos das mulheres no Brasil. Disponível em: <http://www.ufrgs.br/nucleomulher/arquivos/os%20movimentos%20feminismtas_cyntia.pdf >

BLOGUEIRAS FEMINISTAS. Desestruturação da Subsecretaria de Políticas para as Mulheres do Rio de Janeiro. Publicado em 31 de mar. 2014. Disponível em: <http://blogueirasfeministas.com/2014/03/desestruturacao-da-subsecretaria-de-politicas-para-as-mulheres-do-rio-de-janeiro/>


A criminalização do aborto e suas consequências

A discussão sobre os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres se ampliou principalmente após as eleições presidenciais de 2014, quando o tópico foi trazido às mesas de discussão e pudemos nos maravilhar com candidatos como Luciana Genro, quarta colocada do primeiro turno da corrida eleitoral, que se mostrou forte defensora do direito das mulheres de total apropriação e arbítrio de seus próprios corpos, o que logicamente é uma vertente pró-aborto e que também procura prover maior proteção contra a violência doméstica e sexual por elas sofridas. Atualmente, a legislação brasileira proíbe praticamente todas as formas e circunstâncias onde o aborto induzido poderia ocorrer, excetuando apenas casos onde a mulher é vítima de estupro, o feto seja anencefálico ou quando a gestação oferece risco de vida.

O fato é que em um Estado onde há uma grande parcela da população ancorada em preceitos religiosos, principalmente cristãos e que há inclusive a presença maciça de religiosos na esfera política, tentando incansavelmente manipular as agendas de acordo com suas crenças e valores de forma fundamentalista, lidar com um assunto como o aborto se torna um tabu concreto e edificado sobre nossa sociedade. O entendimento sobre quão indivíduo é o feto em gestação nas primeiras semanas da gravidez arrasta a discussão sobre o aborto por milhas e milhas, sem sequer ter chegado perto de um horizonte de consenso mútuo.

De um lado, temos os conservadores que alegam que há um ser humano consciente e digno de proteção como pessoa viva desde o momento da fecundação. Estes afirmam, com suas bíblias enfiadas sob seus sovacos, que o aborto é um ato tão desprezível quanto o assassinato frio de uma criança indefesa. Do outro lado, há um movimento de empoderamento feminino de seus corpos, podendo escolher livremente se aquele é o momento ideal para ter um filho.

Em meio à gritaria gerada por esse profundo desentendimento, há mulheres, por vezes meninas, tendo seus sorrisos roubados e medos alimentos à medida que suas barrigas crescem. Existem garotas que aguardam sentadas em clínicas ilegais e decadentes de aborto, que serão submetidas a processos nada higiênicos, realizados por pessoas que muitas vezes sequer cursaram qualquer disciplina da saúde. O aborto só é extremamente perigoso para as mães pobres, são elas que não tem condição de pagar valores exorbitantes para serem atendidas por médicos profissionais (mesmo que ainda na ilegalidade). A classe alta o faz também ilegalmente, mas o dinheiro as proporciona um conforto e uma segurança que estão a anos luz de populações carentes e desamparadas, que além de tudo, não podem se dar ao luxo de passar minimamente mal durante o processo, uma vez que se forem para o hospital correm o risco de serem presas, com pena de 1 a 3 anos.

O aborto é uma questão de saúde pública. A partir do momento que 1 em cada 7 brasileiras já se submeteu a algum processo abortivo, tem-se a realidade de que uma parcela massiva da população feminina está não somente exposta aos perigos de clínicas ilegais, mas cometendo um ato criminoso perante os olhos do Estado.

Exposto de forma superficial o cenário deprimente brasileiro é possível se revoltar ainda mais com o nosso real foco desta publicação: O novo projeto de lei que aborda as questões do aborto e do amparo à mulher estuprada, de autoria do nosso tão querido presidente da câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

O novo projeto de lei agrava ainda mais a criminalização do aborto. Através do impedimento da discussão sobre o assunto, se aprovado, o PL 5069/2013 torna ainda mais difícil o acesso à proteção dos profissionais de saúde, uma vez que intensifica as penas destinadas aos que auxiliarem o processo abortivo de qualquer maneira, INCLUINDO AQUELES PROVENIENTES DE ESTUPRO. SIIIIIM MEUS QUERIDOS O PROJETO INVIABILIZA O ATENDIMENTO A VITIMAS DE ESTUPRO, ESTAMOS RETROCEDENDO NA VELOCIDADE DA LUZ! O novo projeto de lei da uma voadora na Lei 12.845/2013, que regulamenta o procedimento de médicos e profissionais de saúde no atendimento às vítimas de violência sexual, inclusive para a realização do abortamento legal. 

É de dar nó na garganta o extremismo egoísta imposto sobre os corpos de cada cidadã, ainda mais ao ver um projeto de lei tão, tão.... ai jesus, me ajuda. Bom, à nós resta a luta, o grito, o manifesto. Torceremos para que esse projeto não passe e que façam um bom uso dele como papel reciclado (assim como do nosso querido Eduardo Cunha, beijão fofo).

DEIXE AQUI O SEU AMÉM PRA NOSSA TORCIDA:




Enquanto azaramos a votação do projeto de Cunha,  podemos pedir pra todas as deusas abençoarem aqueles lindos cachos de Jean Wyllys (PSOL-RJ), que agora balançam pelo congresso com o Projeto de Lei 882/2015, que permite a interrupção da gravidez pelo SUS até a 12ª semana de gestação. GO JEAN!

BIBLIOGRAFIA: