EEETA MUNDO, SEGURA ESSE EMPODERAMENTO!!
Olá migxs!! como vão vocês neste dia de muito calor?!
Tá vendo essas moças ai em cima? Pois então, elas estão la na Índia, e são praticamente um exército da salvação feminina. SIM, são as revolucionárias participantes do grupo Gulabi Gang. Você provavelmente não sabe o que é, mas hoje vamos te mostrar, segura essa emoção!
Segundo informações de seu site oficial, o Gulabi Gang é um movimento feminino formado no ano de 2006 e fundado pela líder feminina revolucionária poderosíssima diva empoderada Sampat Pal Devi. A região em que o grupo se formou é uma das mais pobres da Índia e apresenta uma estrutura social altamente patriarcal além da divisão por castas, o analfabetismo e a violência femininas. Segundo Sampat, "não somos uma gang no sentido comum do termo, somos uma gang por justiça". O grupo atua no distrito de Uttar Pradesh, na cidade de Banda, norte da Índia.
O grupo feminino luta em prol de alguns pilares que se baseiam no empoderamento feminino, assistência às castas mais pobres já que elas atuam em áreas rurais.
Como muitas pessoas e mulheres não possuem assistência do governo, ou são esquecidos socialmente, a filosofia das mulheres do grupo está baseada, em alguns casos, em fazer justiça com as próprias mãos. Em uma estrutura patriarcal, com muita corrupção política e o consequente esquecimento das classes mais pobres o grupo responde de maneira agressiva em alguns casos deixando claro o seu posicionamento de busca de melhores direitos às mulheres e classes mais pobres.
Cata ai o trailer do documentário: (infelizmente não tem o doc completo com legendas, nem em inglês ou português :/)
Conhecidas também como The Pink Gang rebellion (o 'pink' tem relação com a vestimenta rosa que usam). Juntamente com o sári rosa e os bastões de bambu, que muitas vezes são utilizados como uma ferramenta de defesa contra possíveis atos violentos, o grupo feminino tem uma imagem forte e característica.
Apesar de defenderem os direitos das mulheres e das classes menos abastadas, a Gulabi Gang não se considera um grupo feminista literal. Elas acreditam que mulheres precisam dos homens para sobrevivência, e, em uma ocasião específica, já devolveram cerca de 11 meninas expulsas de casa aos seus maridos.
Mas não fiquemos tristes com essa última informação, porque mesmo assim a Gulabi Gang tem um papel fortíssimo no empoderamento feminino porque ainda assim acreditam, e por isso defendem esse direito de maneira até truculenta, que as mulheres não devem em hipótese alguma sofrer qualquer tipo de violência ou serem humilhadas. Além disso, o fator sócio-econômico também é contemplado pelo trabalho dessas mulheres uma vez que elas defendem os direitos das castas menos abastadas e cobram do governo direitos trabalhistas minimamente favoráveis e um pagamento digno de salários às classes mais pobres. Temos aqui um caso de empoderamento feminino, direitos socais e trabalhistas e a busca por uma sociedade mais igualitária!
"Minha luta é para que as mulheres não sejam maltratadas e estudem. Vou falar com as famílias das meninas que vêm me pedir ajuda, para que a violência acabe e para que a menina volte à escola. Não vou embora enquanto não se comprometem. Se não cumprem, volto com a minha gente. As famílias têm de entender que, ao receber educação, a menina pode ajudar os pais, não precisa ir embora para um marido. Quando entenderem isso, os bebês estarão a salvo, as meninas deixarão de ser um fardo."
Sampat Pal Devi (trecho de entrevista para a revista ÉPOCA, 13/11/2012)
Sampat é uma referência na luta contra as mulheres. Desde muito nova questionava os padrões sociais que foram impostos à ela, prometida ao seu marido muito nova casou-se com apenas 12 anos. Teve 5 filhos antes dos 20 e na casa da família do marido questionava ordens simples da rotina patriarcal indiana, como por exemplo, o fato de não poder almoçar junto com a família simplesmente porque era uma mulher. Sampat respondeu à estrutura social com truculência, e alega, que como a Índia é um lugar extremamente tradicional e censurador à figura feminina, apenas se respondesse de maneira forte, peitando a ordem comum, e em alguns casos com violência física, ela conseguiria o respeito. Hoje a líder é influência fortíssima na luta política das classes mais pobres que, desconstruindo os valores tradicionais, trata-se de uma liderança que origina-se das minorias. Sampat é mulher e pertencente à casta dos Dalits, considerada a mais pobre e menos importante casta na divisão social indiana.
A "desobediência" de uma mulher levou à criação de um grupo majoritariamente feminino de resposta social às políticas excludentes da Índia, de luta contra a violência e o apagamento social constante das mulheres no país, o que demonstra a importância do empoderado, a importância do não se calar, e, como disse nossa amiga youtuber Jout Jout, a importância de FAZERMOS UM ESCÂNDALO, e fazermos valer os direitos mínimos de quem tem direito à vida, à igualdade de vivência seja dentro de casa, seja na rua, seja na realidade social. A Índia é um dos países mais difíceis para mulheres viverem, e, ainda assim, e que bom ser assim, temos uma mulher, pobre, revolucionando e causando mudanças na ordem social e estrutural vigente. Um passo gigante no contexto social indiano, e um passo ainda maior nas conquistas femininas.
SOMOS TODOS IGUAIS, QUE NOS TRATEM COMO IGUAIS! Viva a luta revolucionária da igualdade, viva o empoderamento!
Beijos de luz e até a próxima!
Referências Bibliográficas
BISWAS, Soutik. Gangue de mulheres surra homens no norte da Índia. 2012. Disponível em: <http://www.bbc.com/portuguese/reporterbbc/story/2007/11/071127_vigilantes_india_mv.shtml>
DESAI, Shweta. Gulabi Gang: India's women warriors. Disponível em: <http://www.aljazeera.com/indepth/features/2014/02/gulabi-gang-indias-women-warrriors-201422610320612382.html>
ÉPOCA. Sampat Pal Devi: "aqui, se for tímida, voce morre". 2012. Disponível em: <http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/noticia/2012/11/sampat-pal-devi-aqui-se-timida-voce-morre.html>
Welcome to Gulabi Gang. 2015. Disponível em: <http://www.gulabigang.in/>


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