sexta-feira, 25 de setembro de 2015

O papel do movimento feminista na construção da “agenda” de gênero no Brasil e políticas públicas

Hellou amigas e amigos! Hoje, vamos falar um pouco sobre o processo de inclusão de questões de gênero nas políticas públicas brasileiras, e com isso vamos falar da importância do movimento feminista no surgimento da “agenda” de gênero do Brasil.

Vale lembrar que, a inclusão da pauta igualdade de gênero na formulação de políticas públicas brasileiras ainda é um processo em construção.  Esta incorporação, em grande parte reflete  a agenda formulada por movimentos de mulheres e entidades feministas, assim como prioridades estabelecidas por outros movimentos nos quais a presença de mulheres é decisiva, como nos movimentos de moradia. Daí meu amores a gente percebe a importância da luta feminista!! A gente precisa sair nas ruas mesmo, organizar mobilizações, grupos de debate/estudos, dentro das universidades, no bairro, no trabalho etc. São esses movimentos feministas que começam em pequenos grupos que geram pressão e dão espaço para novas demandas, sociais e políticas, que passam a ser incorporadas pelo governo.

Bom, vocês devem ter percebido que o post de hoje tem um teor assim, mais “acadêmico”, mas não fiquem com preguiças, ok?! Leiam até o final!! Prometo que o conteúdo é super relevante! Nas verdade, vamos fazer um parênteses aqui para explicar o por que do tema de hoje. Tudo gira em torno da palavra desilusão! A verdade é que, toda feminista já passou por momentos de desânimos com a causa, seja por conflitos de ideias fora ou até mesmo dentro do movimento.... Foi exatamente nesse cenário  de desilusão que nós nos deparamos com um artigo MA-RA (tá lá na bibliografia, migs) sobre o histórico das políticas publicas de gênero no Brasil, Entre as linhas deste artigo, ficou claro que a nossa luta não muda apenas a comportamento das pessoas em seus núcleos familiares, de amigos e trabalho. A luta feminista assim como a luta de diversas minorias é essencial para movimentar os governos!! São a partir das  nossas demandas que surgem programas e políticas públicas que ajudam o nosso país  – mesmo que em pequenos passos – a alcançar a igualdade de gêneros. Então, se você já passou por esse momento de desilusão na luta, ou está passando por isso... JUST HANG IN THERE, M'FRIEND! 

Bom, depois dessa sessão desabafo, vamos voltar a nossa reflexão “acadêmica”....O que se percebe ao longo da história das políticas públicas, é que a inclusão da questão de gênero na agenda governamental ocorreu como parte do processo de redemocratização - estamos falando ali no período das lutas contra a ditadura, momento super importante para a participação feminina na vida política e na militância- , o qual significou a inclusão de novos atores no cenário político e, ao mesmo tempo, a incorporação de novos temas pela agenda pública.

E esse processo de inclusão de novos atores diz respeito também, e principalmente, a atuação dos movimentos sociais. Assim, a história dos movimentos sociais é também a história da constituição das mulheres como sujeito coletivo. Somente quando a mulher se encontra como sujeito coletivo que ela sai da esfera privada (a única esfera a qual ela cabia ao longo da história) e passa a atuar na esfera pública! A mulher passa a atuar ativamente nos movimentos sociais, abrindo caminho para debates sobre a condição da mulher brasileira.

Como mencionado anteriormente, ao longo da história, a participação da mulher enquanto sujeito político ganhou maior destaque nas lutas pela redemocratização, esse foi talvez um dos mais importantes "empurrões" para que questões ligadas a mulher ganhassem espaço na discussão política nacional. Começam a ser discutidas questões sobre reprodução, desigualdade salarial, direito a creches, saúde da mulher, sexualidade/contracepção e violência contra a mulher.

Em resumo, à medida que nos anos 80 que a democratização avançava, a forte atuação das mulheres nos movimentos sociais resultou na formulação de propostas de políticas públicas que contemplassem a questão de gênero. Já nos anos 90, temos a  Conferência Mundial sobre a Mulher, realizada, em 1995, em Beijing. Essa Conferência foi um outro "empurrão" que levou de encontro a trajetória dos movimentos das mulheres no Brasil com as principais instâncias do governo. Passam a ser incluídas na agenda brasileira de políticas públicas temas como:


Violência: Observa-se, por exemplo, a criação de programas que atendam mulheres vítimas de violência doméstica e sexual, incluindo atenção integral (jurídica, psicológica e médica) e criação de abrigos;

Saúde: Implantação efetiva do PAISM - Programa de Atenção Integral à Saúde da Mulher, com o desenvolvimento de ações de atenção à saúde em todas as etapas da vida da mulher, incluindo questões como saúde mental e ocupacional da mulher, sexualidade, doenças sexualmente transmissíveis, prevenção do câncer e planejamento familiar, de forma a superar a concentração na saúde materno-infantil.

Meninas e adolescentes: Reconhecimento de direitos de meninas e adolescentes, por meio de programas de atenção integral, com ênfase a meninas e adolescentes em situação de risco pessoal e social.

Geração de emprego e renda e combate à pobreza: Apoio a projetos produtivos voltados à capacitação e organização das mulheres, à criação de empregos permanentes para o segmento feminino da população e ao incremento da renda familiar.

Educação: Garantia de acesso à educação. Reformulação de livros didáticos e de programas, de forma a eliminar referência discriminatória à mulher e a aumentar a consciência acerca dos direitos das mulheres

Trabalho Garantia de direitos trabalhistas e combate à discriminação: Reconhecimento do valor do trabalho não-remunerado e minimização de sua carga sobre a mulher. Promoção de infra-estrutura urbana e habitação, construção de equipamentos urbanos priorizados por mulheres e garantia de acesso a títulos de propriedade da habitação a mulheres.

E muitos outros temas...

O que observamos, por fim, é que a força dos movimentos feministas brasileiros – principalmente a partir dos anos 80 -  influenciarem a definição das políticas públicas para mulheres e a criação dos espaços institucionais com o objetivo de buscar a igualdade entre os gêneros. Vale destacar, ainda, a criação, por exemplo, do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher e a Secretaria Especial de Políticas Públicas para as Mulheres que se deu durante esse período.

Enfim queridxs, esse post foi uma tentativa de mostrar que sem a mobilização do movimento feminista nada disso seria possível! O movimento da mulher no Brasil é essencial para que questões de gênero ganhem a atenção e destaque que merecem na ”agenda” de politicas públicas do governo.

Ou seja, stay strong!! Feminism shall never die!!! Apesar dos momentos de desanimo, dos retrocessos políticos que a acompanhamos na mídia, dos desafios do dia-a-dia, saiba que por menores que forem, toda atitude feminista e debate feminista levantado são a maior força do nosso movimento e são os principais catalisadores das mudanças politicas que nosso país tanto precisa.

E como essa sexta-feira foi marcado por um debate feminista lindo, vamos deixar aqui uma dedicatória especial desse post para o querido Prof. Leandro Rangel, cuja disciplina “Temas em Relações Internacionais: políticas públicas sobre gênero e a questão feminista" trouxe as discussões feministas para sala de aula, antes inexistente, em um dos cursos com maior número de mulheres ever haha da PUC, e intencionalmente, ou não, plantou uma sementinha linda, que deu animo e força para nós, que acreditamos na igualdade social, política e econômica entre os sexos.


É isso ai pessoal, vamos continuar, da maneira possível, lutando pelo espaço que das mulheres e obviamente não vamos colocar meta. Vamos deixar a meta aberta mas, quando atingirmos a meta, vamos dobrar a meta. Flw, vlws.

Beijos de luz!!


Referência bibliográfica:
GODINHO; Tatau (org.); SILVEIRA, Maria Lúcia da (org.). Igualdade de gênero. São Paulo: Coordenadoria Especial da Mulher, 2004. 188 p. Disponível em: http://library.fes.de/pdf-files/bueros/brasilien/05630.pdf
UNMULTIMIDIA.ORG. Nenhum país do mundo conseguiu atingir a igualdade de gênero. Publicado em 17 de jul. 2015. Disponível em: <http://www.unmultimedia.org/radio/portuguese/2015/07/nenhum-pais-do-mundo-conseguiu-atingir-a-igualdade-de-genero/#.VgV93stViko>
MIRANDA; Cynthia Mara. Os movimentos feministas e a construção de espaços institucionais para a garantia dos direitos das mulheres no Brasil. Disponível em: <http://www.ufrgs.br/nucleomulher/arquivos/os%20movimentos%20feminismtas_cyntia.pdf >

BLOGUEIRAS FEMINISTAS. Desestruturação da Subsecretaria de Políticas para as Mulheres do Rio de Janeiro. Publicado em 31 de mar. 2014. Disponível em: <http://blogueirasfeministas.com/2014/03/desestruturacao-da-subsecretaria-de-politicas-para-as-mulheres-do-rio-de-janeiro/>


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