sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Mãe e aluna: creches nas Universidades Públicas Brasileiras

Olá queridxs, hoje vamos falar sobre creches e apoio estudantil para mães estudantes.  Pode parecer um assunto distante da sua realidade – caso você não seja mulher, ou mãe- mas, a verdade é que qualquer uma de nós, jovens universitárias, poderíamos ficar grávidas durante a graduação, ou estudos de pós, mestrado etc.

E a verdade é que na atual realidade de brasileira isso significaria, para muitas, o abandono dos estudos. Infelizmente não encontramos no Brasil, um sistema de políticas públicas efetivas para o atendimento de mães universitárias. Apesar dos pequenos avanços, ainda são poucas as Universidades Públicas que oferecem creches ou qualquer tipo de apoio estrutural ou financeiro para as mulheres que são mães e estudantes.

Em países como o Canadá e Estados Unidos, diversas universidades oferecem serviços de creche e para os filhos de jovens estudantes. Tudo bem, você pode me dizer que muitas universidades nesses países não são públicas e por isso são capazes de oferecer esse tipo de serviço. PARA TUDO COLEGA, existem programas públicos, ou seja, gratuitos. Existem também programas de creches com mensalidades determinadas a partir do estudo socioeconômico de cada família, ou seja, os pais pagam aquilo que podem e tem acesso a creches de boa qualidade. Mais legal ainda é que, esses serviços se estendem não apenas ao ensino superior. Existem diversas unidades de ensino médio que são preparadas para atender adolescentes grávidas e jovens mães.

Mas, voltando aqui pro cenário brasileiro...

Aqui a realidade é bem diferente. Como já citamos em um post anterior, as mulheres são, atualmente, a maioria entre os que ingressam em cursos superiores. Apesar disso, são as que mais sofrem para conseguir concluir seus cursos dentro do tempo previsto. Dentre os diversos fatores, que se tornam desafios para as mulheres concluírem seus estudos, se destaca a ausência de uma “uma política afirmativa de assistência para as estudantes mais necessitadas”. Com destaque ainda maior para a situação das estudantes mães, que não conseguem, muitas vezes, conciliar os estudos com os cuidados dos filhos.


Segundo a ANDIFES Associação Nacional Dos Dirigentes Das Instituições Federais De Ensino Superior, muitas jovens estudantes não tendo com que deixar seus filhos, enquanto estão nas salas de aulas, se veem obrigadas a trancar suas matrículas e até mesmo abandonar o curso superior. Segundo pesquisa realizada pela associação, em 2011, 68% dos trancamentos de matrícula são por licença maternidade. A pesquisa mostrou ainda, que cerca de 40% das estudantes que são mães fazem uso das creches universitárias, nas 19 instituições que oferecem esse serviço.  O que o estudo não mostra, mas é fato, é que as jovens universitárias que não fazem uso do serviço de creche, não o fazem, simplesmente porque não existem vagas suficientes para atender a demanda. 
  
E, infelizmente,  o número de universidades que oferecem o serviço de creche ainda é muito pequeno... 

No inicio deste ano o caso de uma aluna da USP se tornou notícia quando esta jovem mãe foi assistir a aula com seu filho no colo.  Ela declarou que,

“Já usei todo o tempo de trancamento que poderia, 3 anos. Tenho que voltar ou perco a vaga. Não tenho escolha”, conta a estudante. “Além da questão financeira, de eu precisar trabalhar e o Chico precisar de um ambiente mais adequado pra idade dele, eu preciso voltar pra graduação ou vou perder tudo o que fiz até hoje.” (FEMMATERNA, 2015)

O mais triste é que essa mulher não é uma exceção, existem milhares de jovens que se veem na mesma situação, diariamente. E esse modelo atual, onde as jovens estudantes – e isso vale também para mulheres que são mães e trabalham fora de casa – não têm onde deixar seus filhos é resultante de uma sociedade patriarcal onde historicamente a mulher tem sido excluída do espaço público. Uma sociedade onde o papel da mulher se limita apenas aos afazeres domésticos, a educação dos filhos e desejos do marido. Mas o mundo está mudando (ALELUIA), a custa de muita luta a mulher tm alcançado seu espaço no mercado de trabalho e nas instituições de ensino, brasileiras. Mas, infelizmente nosso Estado e sociedade não têm avançado junto com a trajetória das mulheres. Não conseguindo,portanto, oferecer suporte e serviços eficientes que atendam as necessidades da nova realidade da mulher, mulher que tem direito de trabalhar, direito de estudar, direito de ser mãe, de ser mãe e estudar e trabalhar ao mesmo tempo.

Em 1972, na UFRGS, foi criada a primeira creche em universidade federal, como consequência da eclosão de vários movimentos sociais na década de 70. De lá pra cá o número de creches aumentou, entre os anos 1980 e 1992, por exemplo, foram inauguradas outras 15 creches. Apesar disso, o ritmo e de criação e a quantidade de creches universitárias ainda está muito abaixo da necessária. Atualmente existem ativas cerca de  29 creches em Instituições Federais de Ensino Superior, que  não conseguem atender a demanda de universitárias, servidoras e comunidade em geral. 

Além da oferta de creches em si, deve ser pauta de discussão auxílio financeiro ou auxílio-creche. O auxilio creche, por exemplo, é um auxilio financeiro que algumas instituições de ensino superior oferecem para complementar a renda de jovens estudantes que são mães. O auxilio é destinado ao pagamento de creches. A UFPR (Universidade Federal do Paraná) presta esse auxílio deste 2013. Porém, o número de jovens atendidas ainda é muito pequeno. Em 2014, 42 estudantes foram aprovados para receber a bolsa... muitos ainda ficam de fora do programa.

Fica claro que o Estado precisa trabalhar em políticas públicas para suporte de mães universitárias e a criação de novas creches para atender a demanda que tende a crescer conforme as mulheres avançam na sua participação em instituições de ensino superior. A criação de novas creches e políticas publicas de assistência a mães universitárias é uma medida urgente e necessárias. As creches são essenciais para permitir que as mulheres consigam terminar seus estudos, além de ser um direito da criança que precisa de assistência e ambiente adequado para crescer e se desenvolver. Por fim,  para promover uma universidade popular, para permitir o acesso igual a todos a um ensino superior de qualidade é preciso pensar na inclusão de jovens mães, porque as mulheres chegaram nas Universidades e não vão sair de lá não minha gente!! Todo lugar é lugar de mulher :D 

Referências Bibliográficas:

ANFIDES. Perfil Socioeconômico e Cultural dos Estudantes de Graduação das Universidades Federais Brasileiras. Fórum Nacional de Pró-Reitores de Assuntos Comunitários e Estudantis (FONAPRACE). Brasília - 2011. Disponível em: <http://www.andifes.org.br/wp-content/files_flutter/1377182836Relatorio_do_perfi_dos_estudantes_nas_universidades_federais.pd>
 HALABI, Giulia. Auxílio financeiro permite que mães estudantes terminem a graduação. Publicado em 16 de set, 2014. Disponível em: <http://www.jornalcomunicacao.ufpr.br/auxilio-financeiro-permite-que-maes-estudantes-terminem-a-graduacao/>
PIRES, Yuri. Pelo direito de trabalhar e estudar: creche universitária já!. Publicado em 3 de set , 2012. Disponível em: <https://rebelesenaune.wordpress.com/2012/09/03/pelo-direito-de-trabalhar-e-estudar-creche-universitaria-ja/>
RAUPP, Marilena D. Creches nas universidade federais: questões, dilemas e perspectivas. 2004. Disponível em:<http://www.scielo.br/pdf/es/v25n86/v25n86a10.pdf>
VIEIRA, Amanda. Ampliação de creches nas universidades é necessária para garantir autonomia das mulheres. Publicado em 1 de mai, 2015. Disponível: <http://femmaterna.com.br/ampliacao-de-creches-nas-universidades-e-necessaria-para-garantir-autonomia-das-mulheres/>





Nenhum comentário:

Postar um comentário