O atendimento às mulheres vítimas
de violência é garantido no Brasil pela Lei Maria da Pena, assim como por outras
convenções internacionais firmadas pelo país. Todavia, relatos de mulheres que
buscam o atendimento do telefone 180 afirmam que ou o serviço as coloca na
deriva dos cuidados do Estado ou o processo formal para ter o amparo estatal é
tão lento e ineficaz que tem um resultado negativo, piorando ainda mais o
sentimento de violação da mulher agredida. As vítimas alegam que as dificuldades
estruturais colocadas, como o transporte, a necessidade de repetir oralmente a
ocorrência da agressão (que faz com que a mulher reviva os momentos que
logicamente ela prefere esquecer), o despreparo e insensibilidade dos
profissionais que as atendem torna o processo de ser legitimamente protegida
pelo Estado um apego ao vácuo.
Chamada de Rota Crítica, a
dificuldade de amparo que as mulheres enfrentam é exatamente o oposto que as
leis feministas propõem, mas deve-se salientar que tal fato não é uma grande
surpresa para nós brasileiros, que somos contemplados com uma das mais belas e
completas leis entre os países, só que no caso a grande maioria dessas leis é
ineficaz devido ao modelo estrutural burocrático e devagar do Estado. Este
deveria amparar a vítima de violência de forma rápida, discreta e com a maior
sensibilidade possível, visto que a mulher está debilitada física e psicologicamente.
Assim como prover as medidas necessárias para o rompimento da vítima com o
agressor, movimento que encontra obstáculos como a dependência financeira do
agressor e as dificuldades afetivas peculiares nos casos em que a agressão
acontece em relações íntimas e familiares (que se são penosas para o Estado,
imagina para a mulher correr atrás dessas coisas).
“O primeiro obstáculo com o qual a mulher
vítima de violência se depara diz respeito a ela mesma, que deve enfrentar a
cultura patriarcal em que vive e que preconiza a superioridade do homem e a
passividade e obediência da mulher e que, em muitos casos, ainda está
introjetada na vítima, limitando sua reação. São esses padrões culturais que,
inclusive, invertem os papéis, fazendo com que ela se sinta culpada pelas
agressões que sofre, como se merecesse”, relata Jacqueline Pitanguy, coordenadora
executiva da organização Cidadania, Estudo, Pesquisa, Informação e Ação (Cepia).
A advogada e militante do
movimento feminista Maria Amélia de Almeida Teles, conhecida no movimento
ativista apenas como Amelinha, afirma que serviços públicos estruturalmente
eficientes e dotados de profissionais treinados são essenciais para a extinção
da Rota Crítica:
“Ter uma porta aberta que vai receber essa
mulher é fundamental para impedir que ela continue na
violência. Então, é
preciso que haja uma escuta, é preciso ouvir essa mulher, orientá-la sobre seus
direitos e sobre as possibilidades para sair dessa situação e oferecer
alternativas, como uma casa abrigo, uma Defensoria Pública, um serviço de saúde
que vai oferecer um tratamento psicológico”.
Amelinha ainda levanta a questão
do debate informativo como prevenção dos casos de violência, afirmando que o
amparo do Estado para com a mulher vítima de algum tipo de agressão começa
antes mesmo da ocorrência ser relatada. É papel do Estado disseminar a cultura
de tolerância zero com o feminicídio, homofobia e outras tragédias sociais que
assombram uma gama GIGANTESCA de indivíduos.
“Precisamos dar muita ênfase às
medidas preventivas, como a capacitação de profissionais, mas também campanhas
junto à sociedade, à mídia, a todos os órgãos do Poder Judiciário e do Sistema
de Segurança Pública, para discutir o que significa a violência contra as
mulheres, para que a sociedade possa de fato aprofundar a democracia”,
A compreensão do que uma mulher
passa quando cai na Rota Crítica pode ser salientada através do seguinte
quadro:
Do que vale ter uma lei conhecida por 98% da população brasileira que não consegue cumprir com 100% do que se dispõem? Isso só quem já precisou do amparo do Estado pode responder com clareza. A questão é, submeter uma mulher violentada à um processo lento, doloroso e que a retorna a todo instante ao momento da agressão é um ato insensível e impensado. O desgaste que a rota crítica causa intensifica a lesão psicológica sofrida por aquela mulher, o que tira o Estado do papel de acolhedor para com seus indivíduos e o coloca como agressor secundário, aquele que intensifica a agressão da vítima.
MENEGHEL, Stela Nazareth . Rotas críticas de mulheres
em situação de violência: depoimentos de mulheres e operadores em Porto
Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. Cad. Saúde Pública. 2011.
Negros, brancos, indígenas,
homens, cristãos, mulheres, ateus, transexuais, etc... 5,7 milhões de pessoas
de todas as raças, credos e faixas etárias tiveram que refletir e dar seu
parecer sobre a violência contra a mulher durante a prova do Exame Nacional do
Ensino Médio (ENEM), a principal prova para ingresso em universidades públicas
do todo o Brasil.
A prova deste ano foi aclamada e
comentada em todas as vias de comunicação brasileiras, principalmente a
internet. Os internautas aplaudiram de pé a composição das questões do exame,
que trazia autores das mais diferentes vertentes sociológicas e políticas como Max
Weber, Thomas Hobbes, Nietzsche e Paulo Freire. A menina dos olhos das questões
do Enem porém, foi uma pergunta que trazia a citação da filósofa francesa
Simone de Beauvoir, considerada uma dos maiores nomes do feminismo mundial.
Questão 42
Ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico,
psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da
sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário
entre o macho e o castrado que qualificam o feminino. BEAUVOIR, S. O segundo
sexo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980.
Além de uma belezura dessas no
meio da provinha mais badalada do Brasil, o tema da redação abordava a
violência contra a mulher e as leis de feminicídio com o tema “a persistência
da violência contra a mulher na sociedade brasileira”. Imaginar o impacto que a
abordagem desse tema em uma prova de tamanha magnitude chega a encher o peito
de orgulho só de ver tantas cabeças pensando, escrevendo e principalmente
ESCREVENDO SEM PODER FALAR AS GRANDES “BELEZAS” QUE SE VÊ PELAS REDES SOCIAIS.
A presença do tema na prova que
mais reúne estudantes em um país do tamanho do nosso significa que o feminismo
chegou onde devia estar a muito tempo, nas mesas de almoço, nas salas de TV,
nos jornais e portais de notícia... Na boca do povo! Colocar um assunto tão
polêmico em discussão nacional é assumir – e enfiar goela abaixo de quem
discordar – que a violência contra a mulher é um problema real, grave e que
acontece em grande escala!
O Brasil conta com a Lei Maria da Penha para dar amparo às mulheres
vítimas de violência, que é conhecida por 98% da população. O nome dessa lei vem da cearense Maria da Penha Maia
Fernandes, de 70 anos, que ficou paraplégica depois de sofrer um ataque covarde
e desumano de seu ex-marido agressor, que tentou mata-la com tiros nas costas
enquanto ela dormia. A satisfação sentida por Maria foi expressa em entrevista
com o Portal G1 de notícias: "Fiquei feliz, o tema realmente está na boca
do povo agora. Plantou uma semente”.
Ao se colocar no lugar dos estudantes, Maria da Penha afim que
sua sugestão de intervenção social teria duas frentes: a educação e as
políticas públicas.
“[Minha proposta]
seria a de investir na educação para conscientizar as pessoas de que as
mulheres, em seus relacionamentos, têm que ter seus direitos humanos
respeitados. A educação trabalha nesse sentido, do respeito ao outro",
explicou ela. "E também que haja uma mudança da cultura machista, com a
criação das políticas públicas onde a mulher possa denunciar, possa ser
protegida, e o seu agressor possa ser punido. A finalidade da lei é exatamente
punir o agressor. A gente não quer punir o homem, a gente quer punir o homem
que não respeita sua mulher."
Acreditamos que o Ministério da Educação fez um gol de placa inserindo o assunto, que de fato ganhou grande repercussão em 2015, em uma prova que é de acesso de tantos indivíduos. A significância do acontecido está no fato de que existem casas onde o feminismo nunca entrou, nem pela telinha de um celular sequer. Uma vez que tantos são obrigados a pararem suas vidas e dar um parecer formal, inteligente e que será avaliado sobre a questão do feminicídio, tem-se a perspectiva de que o assunto se alastrará mais e mais dentro dos domicílios brasileiros.
Bibliografia:
PORTAL FÓRUM. Com
Simone de Beauvoir, Enem teve questão sobre feminismo. Disponível em: <http://www.revistaforum.com.br/blog/2015/10/com-simone-de-beauvoir-enem-teve-questao-sobre-feminismo/>
PORTAL EBC. Com
redação sobre violência contra a mulher, Enem 2015 é considerado
"feminista" nas redes. Disponível em: <http://www.ebc.com.br/educacao/2015/10/com-redacao-sobre-violencia-contra-mulher-enem-2015-e-considerado-feminista-nas>
PORTAL G1. Redação do
Enem 2015 'plantou uma semente', diz Maria da Penha. 2015. Disponível em:
<http://g1.globo.com/educacao/enem/2015/noticia/2015/10/redacao-do-enem-2015-plantou-uma-semente-diz-maria-da-penha.html>
Olá migxs!! como vão vocês neste dia de muito calor?!
Tá vendo essas moças ai em cima? Pois então, elas estão la na Índia, e são praticamente um exército da salvação feminina. SIM, são as revolucionárias participantes do grupo Gulabi Gang. Você provavelmente não sabe o que é, mas hoje vamos te mostrar, segura essa emoção!
Segundo informações de seu site oficial, o Gulabi Gang é um movimento feminino formado no ano de 2006 e fundado pela líder feminina revolucionária poderosíssima diva empoderadaSampat Pal Devi. A região em que o grupo se formou é uma das mais pobres da Índia e apresenta uma estrutura social altamente patriarcal além da divisão por castas, o analfabetismo e a violência femininas. Segundo Sampat, "não somos uma gang no sentido comum do termo, somos uma gang por justiça". O grupo atua no distrito de Uttar Pradesh, na cidade de Banda, norte da Índia.
O grupo feminino luta em prol de alguns pilares que se baseiam no empoderamento feminino, assistência às castas mais pobres já que elas atuam em áreas rurais.
Como muitas pessoas e mulheres não possuem assistência do governo, ou são esquecidos socialmente, a filosofia das mulheres do grupo está baseada, em alguns casos, em fazer justiça com as próprias mãos. Em uma estrutura patriarcal, com muita corrupção política e o consequente esquecimento das classes mais pobres o grupo responde de maneira agressiva em alguns casos deixando claro o seu posicionamento de busca de melhores direitos às mulheres e classes mais pobres.
Cata ai o trailer do documentário: (infelizmente não tem o doc completo com legendas, nem em inglês ou português :/)
Conhecidas também como The Pink Gang rebellion (o 'pink' tem relação com a vestimenta rosa que usam). Juntamente com o sári rosa e os bastões de bambu, que muitas vezes são utilizados como uma ferramenta de defesa contra possíveis atos violentos, o grupo feminino tem uma imagem forte e característica.
Apesar de defenderem os direitos das mulheres e das classes menos abastadas, a Gulabi Gang não se considera um grupo feminista literal. Elas acreditam que mulheres precisam dos homens para sobrevivência, e, em uma ocasião específica, já devolveram cerca de 11 meninas expulsas de casa aos seus maridos.
Mas não fiquemos tristes com essa última informação, porque mesmo assim a Gulabi Gang tem um papel fortíssimo no empoderamento feminino porque ainda assim acreditam, e por isso defendem esse direito de maneira até truculenta, que as mulheres não devem em hipótese alguma sofrer qualquer tipo de violência ou serem humilhadas. Além disso, o fator sócio-econômico também é contemplado pelo trabalho dessas mulheres uma vez que elas defendem os direitos das castas menos abastadas e cobram do governo direitos trabalhistas minimamente favoráveis e um pagamento digno de salários às classes mais pobres. Temos aqui um caso de empoderamento feminino, direitos socais e trabalhistas e a busca por uma sociedade mais igualitária!
"Minha luta é para que as mulheres não sejam maltratadas e estudem. Vou falar com as famílias das meninas que vêm me pedir ajuda, para que a violência acabe e para que a menina volte à escola. Não vou embora enquanto não se comprometem. Se não cumprem, volto com a minha gente. As famílias têm de entender que, ao receber educação, a menina pode ajudar os pais, não precisa ir embora para um marido. Quando entenderem isso, os bebês estarão a salvo, as meninas deixarão de ser um fardo."
Sampat Pal Devi (trecho de entrevista para a revista ÉPOCA, 13/11/2012)
Sampat é uma referência na luta contra as mulheres. Desde muito nova questionava os padrões sociais que foram impostos à ela, prometida ao seu marido muito nova casou-se com apenas 12 anos. Teve 5 filhos antes dos 20 e na casa da família do marido questionava ordens simples da rotina patriarcal indiana, como por exemplo, o fato de não poder almoçar junto com a família simplesmente porque era uma mulher. Sampat respondeu à estrutura social com truculência, e alega, que como a Índia é um lugar extremamente tradicional e censurador à figura feminina, apenas se respondesse de maneira forte, peitando a ordem comum, e em alguns casos com violência física, ela conseguiria o respeito. Hoje a líder é influência fortíssima na luta política das classes mais pobres que, desconstruindo os valores tradicionais, trata-se de uma liderança que origina-se das minorias. Sampat é mulher e pertencente à casta dos Dalits, considerada a mais pobre e menos importante casta na divisão social indiana.
A "desobediência" de uma mulher levou à criação de um grupo majoritariamente feminino de resposta social às políticas excludentes da Índia, de luta contra a violência e o apagamento social constante das mulheres no país, o que demonstra a importância do empoderado, a importância do não se calar, e, como disse nossa amiga youtuber Jout Jout, a importância de FAZERMOS UM ESCÂNDALO, e fazermos valer os direitos mínimos de quem tem direito à vida, à igualdade de vivência seja dentro de casa, seja na rua, seja na realidade social. A Índia é um dos países mais difíceis para mulheres viverem, e, ainda assim, e que bom ser assim, temos uma mulher, pobre, revolucionando e causando mudanças na ordem social e estrutural vigente. Um passo gigante no contexto social indiano, e um passo ainda maior nas conquistas femininas.
SOMOS TODOS IGUAIS, QUE NOS TRATEM COMO IGUAIS! Viva a luta revolucionária da igualdade, viva o empoderamento!
Beijos de luz e até a próxima!
Referências Bibliográficas
BISWAS, Soutik. Gangue de mulheres surra homens no norte da Índia. 2012. Disponível em: <http://www.bbc.com/portuguese/reporterbbc/story/2007/11/071127_vigilantes_india_mv.shtml>
DESAI, Shweta. Gulabi Gang: India's women warriors. Disponível em: <http://www.aljazeera.com/indepth/features/2014/02/gulabi-gang-indias-women-warrriors-201422610320612382.html>
ÉPOCA. Sampat Pal Devi: "aqui, se for tímida, voce morre". 2012. Disponível em: <http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/noticia/2012/11/sampat-pal-devi-aqui-se-timida-voce-morre.html>
Welcome to Gulabi Gang. 2015. Disponível em: <http://www.gulabigang.in/>
Se vamos falar sobre políticas públicas de gênero, porque não falar sobre política? Vamos falar sobre o que anda rolando no mundo da política e dos direitos das mulher? VAMOS NÉ?!
E se vamos vamos falar sobre direito das mulheres e política, obviamente vamos falar do último retrocesso que os políticos brasileiros lançaram por aí: o projeto de lei (PL 5.069/13). No início do mês de outubro deste ano, o projeto de lei (PL 5.069/13), proposto pelo deputado Eduardo Cunha, virou notícia nacional. O projeto que transforma em crime a o anúncio de meios, substância, processo ou objetos abortivos, foi aprovado Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), por 37 votos a 14, no dia 21 de outubro.
Para quem ainda não entendeu muito bem o que esse projeto de lei propõe, presta atenção. Vamos explicar tudo pra você, tentando ao máximo não chutar o balde e sair escrotizando o Sr. Cunha, bitches let's be classy.
A história da proposta de lei (PL 5.069/13) na verdade teve início ainda em 2013. No dia 8 de março de 2013, Dia Internacional da Mulher, foi aprovada pela Câmara dos Deputados o projeto de lei (PL 6906, que se tornou a Lei 12.845/2013, lei de apoio à vítima de estupro. Essa lei, aprovada em 2013 diz respeito ao atendimento a vitimas de violência sexual e é um avanço na luta pelos direitos das mulheres e direitos humanos. A lei sancionada pela Presidenta Dilma determina que dentre várias coisas, em seu Art 1º que os hospitais devem oferecer as vitimas de violências sexual atendimento emergencial, integral e multidisciplinar, visando ao controle e ao tratamento dos agravos físicos e psíquicos decorrentes de violência sexual, e encaminhamento, se for o caso, aos serviços de assistência social.
Dentro desta lei, em seu Art. 2º a é delimitado que por violência sexual, considera-se qualquer forma de atividade sexual não consentida. Sendo delimitado ainda quais serviços compõe a rede de atendimento imediato a vítimas desse tipo de violência, sendo estes, dispostos no Art 3º:
I - diagnóstico e tratamento das lesões físicas no aparelho genital e nas demais áreas afetadas;
II - amparo médico, psicológico e social imediatos;
III - facilitação do registro da ocorrência e encaminhamento ao órgão de medicina legal e às delegacias especializadas com informações que possam ser úteis à identificação do agressor e à comprovação da violência sexual;
IV - profilaxia da gravidez;
V - profilaxia das Doenças Sexualmente Transmissíveis - DST;
VI - coleta de material para realização do exame de HIV para posterior acompanhamento e terapia;
VII - fornecimento de informações às vítimas sobre os direitos legais e sobre todos os serviços sanitários disponíveis;
Pegou esse item IV do artigo 3º da Lei (PL 5.069/13), pegou né nom?! Pois bem, esse item assegura o acesso, por exemplo, a pílula do segundo dia e permite que o serviço de aborto seja realizado sem a exigência de um B.O. (Boletim de Ocorrência) ou de uma ação judicial. O procedimento pode ser feito até a 20ª semana da gestação, de acordo com o Ministério da Saúde. Parece bem sensato não? Esse item simplesmente garante que a mulher vitima de violência sexual possa optar, em caso de gravidez, pelo aborto. OBVIO NE, porque além de ter sido violado por homem, desconhecido ou não, nenhuma mulher deveria ser obrigada (por causa de religião nenhuma ou moral de ninguém) a prosseguir com uma gravidez indesejada e muitas vezes traumatizantes. (não vamos nem adentrar aqui nos traumas psicológicas que a violência sexual deixa, imagine carregar consigo a lembrança desse momento, contra a sua vontade?!)
Bom, a aprovação desta lei em 2013 representou grandes avanços na luta pelos direitos das mulheres. Um avanço reconhecido internacionalmente, por organizações internacionais como a ONU e governos de outros países. Porém, neste lindo Estado laico em que vivemos, sqn, assim que o projeto da Lei 12.845/2013 foi aprovada, ainda pela Câmara, a Bancada Evangélica abriu suas asinhas e reagiu. Defensores do "direito a vida" lançaram campanhas nacionais para que a mesma não fosse sancionada. Mas, como nós já sabemos a Dilmete sancionou a bendita <3 Mas, isso não deu fim a oposição. Após a sanção da lei, a Bancada Evangélica se reorganizou e produziu novas estratégias.
Foi ai queridas e queridos que o deputado Eduardo CUnha (PMDB/RJ) lançou neste ano, para votação o projeto de lei (PL 5.069/13). Esta propõe penalizar, com 5 a 10 anos de prisão, profissionais de saúde que realizarem o atendimento de vítimas de violência sexual conforme previsto na lei 12.845/2013, ou seja, disponibilizando a “pílula do dia seguinte”.
Calma minha/meu colega, você já está assim como nós perplectx com esse projeto, tipo assim, sem nem saber como reagir em frente a tamanho retrocesso?! Segura ai que o trem piora, deixa a gente te explicar certinho o que o texto da (PL 5.069/13). propõe (você pode conferir o texto na integra disponibilizado pela câmara aqui):
É proposto, por exemplo, a obrigação de realização do exame de corpo de delito, para comprovar a violência sexual (aquele segundo abuso sexual que viola o corpo fragilizado da vitima de violência). O projeto pede também o aumento da pena aos profissionais de saúde que tratarem ou até mesmo informarem pessoas sobre o processo de aborto após estrupo. É ai que entra em questão o item IV do artigo 3º mencionado ali em cima. A proposta PL 5.069/13 pede a eliminação do termo profilaxia da gravidez, que diz respeito a distribuição da pilula do dia seguinte, ou seja, essa proposta prevê a eliminação da distribuição da pílula. Basicamente, como mencionado pelo documento assinado pela Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), entre outras organizações, “na prática, serão negados procedimentos de atenção em saúde importantes para que vítimas de violência possam retomar suas vidas, tais como a anticoncepção de emergência e o direito ao aborto legal e seguro nos casos já previstos em lei”.
Parece absurda essa lei não e mesmo? E ELA É!! Talvez a única coisa mais absurda do que essa proposta seja quantidade de votos a favor registrados na Câmara, total de 47 a favor...
A aprovação da proposta se tornou notícia internacional e chamou a atenção de organizações como a ONU que já anunciou que as recentes noticias acerca da tramitação da (PL 5.069/13) é preocupante. A ONU assim como diversas instituições defendem o acesso ao aborto seguro e ao direito da mulher sobre seu próprio corpo. Em um mundo onde cada vez mais países regularizam o aborto, o Brasil não apenas penaliza legalmente a mulher e profissional envolvidos e caracteriza o aborto enquanto CRIME, como agora também quer proibir a distribuição da pílula do dia seguinte.
Enquanto os números de violência sexual, seguem alarmantes -----, ao invés de proporem leis que assegurem os direitos humanos, politicas publicas que priorizem a promoção da igualdade de gênero e defesa da mulher, muitos deputados saem por ai defendendo seus valores religiosos PESSOAIS e propagando retrocessos que invadem não apenas questões de direito individuais como também agridem os direitos humanos e agridem os direitos das mulheres.
A gente segue contando com o bom senso da Sra. Presidenta. E se o Cunha e seu grupinho achavam que a mulherada e os homens fossem ficar calados, ta ai a linda manifestação que aconteceu ontem mesmo, dia 30 de outubro, em São Paulo. Centenas e mais centenas de mulheres protestaram na Av. Paulista contra esse projeto BA-BA-CA. Confere aqui a multidão linda, nas ruas:
E para quem tiver interesse pelo tema, (por favor colega todo mundo tem que ter interesse nesse tema) vale a pena conferir o debate promovido pela revista TPM e a UOL sobre a questão do aborto e das leis que regulam a situação do aborto no Brasil:
É isso meu Brasil,
beijos de luz!!
Referência bibliográfica:
BEDINELLI, Talita. Pautas conservadoras ganham fôlego na Câmara de Eduardo Cunha. Publicado em 15 de fev de 2015. Disponível em: <http://brasil.elpais.com/brasil/2015/02/13/politica/1423839852_990180.html>
BOEHM, Camila. Manifestação contra projeto de Eduardo Cunha fecha avenida Paulista. Publicado em 30 de out de 2015. Disponível em: <http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2015/10/30/manifestacao-contra-projeto-de-eduardo-cunha-fecha-avenida-paulista.htm#fotoNav=8>
CAMPOS, Amanda. Após um ano, lei de apoio à vítima de estupro não é cumprida em todo o País. Publicado em 02 de dez de 2014. Disponível em: <http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2014-12-02/apos-um-ano-em-vigor-lei-de-apoio-a-vitima-de-estupro-nao-e-cumprida-no-pais.html>
COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA E DE CIDADANIA .Projeto de lei Nº 5.069, DE 2013. Disponível em: <http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1389465&filename=Tramitacao-PL+5069/2013>
FOSTER, Gustavo. Projeto de Cunha que dificulta aborto é considerado "absurdo" por especialistas. Publicado em 23 de out de 2015. Disponível em: <http://zh.clicrbs.com.br/rs/vida-e-estilo/noticia/2015/10/projeto-de-cunha-que-dificulta-aborto-e-considerado-absurdo-por-especialistas-4885541.html>
GOMES, Rodrigo. Câmara pode impedir prevenção de gravidez consequente de estupro. Publicado em 20 de set de 2015. Disponível em: <http://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2015/09/camara-pode-impedir-prevencao-de-gravidez-consequente-de-estupro-4449.html>
MANO,Maíra Kubík. Deputados, respeitem as mulheres!. Publicado em 22 de set de 2015. Disponível em: <http://mairakubik.cartacapital.com.br/2015/09/22/deputados-respeitem-as-mulheres/>
PROJETO DE LEI Nº 2013 (Do Senhor Eduardo Cunha e outros). Disponível em: <http://www2.camara.leg.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1061163&filename=PL+5069/2013>
O DIA. Câmara aprova projeto que criminaliza anúncios de métodos abortivos. Publicado em 21 de out de 2015. Disponível em: <http://odia.ig.com.br/noticia/brasil/2015-10-21/camara-aprova-projeto-que-criminaliza-anuncios-de-metodos-abortivos.html>
SHALOM, David."Dos piores retrocessos" diz deputada sobre PL que dificulta aborto após estupro. Publicado em 20 de out de 2015. Disponível em:<http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2015-10-22/dos-piores-retrocessos-diz-deputada-sobre-pl-que-dificulta-aborto-apos-estupro.html>
Em um dos posts passados nos falamos um pouco sobre a igualdade de gênero e o mercado de trabalho. A discriminação sofrida pelas mulheres no ambiente de trabalho, as diferentes taxas salariais e oportunidades reduzidas, etc. são apenas alguns dos muitos problemas sociais resultantes do preconceito de gênero. Em vista dos problemas sociais que o preconceito de gênero gera, promover a igualdade de gênero no mercado de trabalho faz parte da agenda de políticas públicas de muitos países, incluindo o Brasil. Infelizmente, ainda existe uma grande resistência (na política e na sociedade) que perpetua a manutenção das grandes diferenças entre homens e mulheres em relação a suas atividades profissionais.
No post de hoje vamos falar sobre dois termos, que vocês já podem até conhecer, mas que são inéditos para nós editores desse blog: a segregação horizontal e a segregação vertical. Porque falar sobre esses dois termos? Simplesmente porque essas duas formas de segregação estão diretamente ligadas com as desigualdades que as mulheres enfrentam no mercado de trabalho. Esses modelos de segregação perpetuam a desigualdade de gênero e estão tão intrínsecos a nossa cultura que chega a ser desesperador e assustador imaginar a reversão dos seus efeitos.
Muitos sociólogos descrevem o local de trabalho e a sociedade em geral como ambientes sexualmente segregados, isso quer dizer que homens e mulheres têm papéis sociais, pré-determinados e consequentemente conjunto de oportunidades diferentes. É nesse sentido que a promoção de estereótipos de gêneros vai criar o que os sociólogos classificam como segregação horizontal e segregação vertical. De modo bem simplificado, a segregação horizontal refere-se à separação de gêneros para determinadas atividades, como permitir que apenas os homens atividades ligados ao exército e encorajar as mulheres a serem professoras ou enfermeiras. Em resumo, a segregação horizontal dita o que é trabalho para homem e o que é trabalho para mulher. No caso da segregação horizontal, esta faz com que as escolhas de carreira sejam baseadas em questões de gênero. Compete as mulheres as chamadas “profissões femininas” e aos homens as “profissões masculinas”. O mais interessante aqui, é que nesta questão específica das questões de gênero, tanto os homens quanto as mulheres sofrem os efeitos negativos dos padrões sociais, afinal qualquer homem ou mulher que escolha uma carreira fora da “sua caixa de gênero” tem que enfrentar enormes desafios para serem aceitos, bem-sucedidos e respeitados no mercado de trabalho.
Já a segregação vertical refere-se, “à prevenção de uma espécie de ascendente para uma posição mais elevada, o que não permite que as mulheres tornam-se gestores e saliências.”, ou seja, a segregação vertical está ligada a ascensão da mulher em seu cargo. Por exemplo, as mulheres encontram diversas barreiras e dificuldades para atingirem cargos de liderança em grandes empresas, pois "culturalmente" a sociedade não acredita que as mulheres são capazes de liderar. A segregação vertical está diretamente vinculada com a desvalorização das consideradas “profissões femininas”, se as mulheres são desvalorizadas socialmente, suas profissões também são subvalorizadas. A segregação vertical diz respeito a manutenção das mulheres em cargos de subordinação, ou em outros palavras, cargos que não tem perspectiva de progresso.
(vamos parar com essa palhaçada de carreira para homem e carreira para mulher?)
Basicamente o que temos por traz desses modelos de segregação é uma estrutura social construída através de uma rede de crenças, valores e atitudes que formam estereótipos sobre as habilidades e competências diferentes entre homens e mulheres. Esses padrões sociais constrangem as mulheres, criando barreiras que limitam suas escolhas profissionais. Assim, através da segregação horizontal/vertical as mulheres são levadas,consciente e inconscientemente, a seguirem caminhos e escolherem carreiras dentro do "leque social das carreiras cabíveis ao gênero feminino".
Sobre os efeitos sociais desses dois tipos de segregação podemos dizer que devido as pressões sociais, ainda hoje a imposição dos esteriótipos de carreira para mulheres e carreira para homens, influenciam as escolhas das mulheres. Muitas mulheres tem escolhido trabalhar em empregos "típicos femininos". De forma consciente e inconscientemente, ou seja, levando em consideração não apenas suas habilidades ou desejos, mas principalmente aquilo que lhe é esperado socialmente – ou ainda mascarando e criando habilidades consideradas “femininas” – as mulheres são levadas a escolher suas profissão e carreira de acordo com aquilo que a sociedade lhe dita como sua competência.
Por exemplo, uma pesquisa realizada, em 2010, pelo CNPq, no Diretório de Grupos de Pesquisa (DGP) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) apontou que, apesar da grande inserção da mulher no mercado e no meio acadêmico (em 2010 se encontravam registradas 130 mil pesquisadores no CNPq dos quais a metade eram mulheres), as mulheres se limitam em grande maioria na atuação de pesquisas nas áreas de ciências humanas e sociais, enquanto os homens se encontram nas áreas de exatas, principalmente engenharias.
O pior de tudo é que enquanto nossa sociedade acreditar que as mulheres tem capacidades diferentes dos homens, a segregação horizontal e vertical terá terreno para fincar raízes mais profundas e se espalhar. O que defendemos aqui é que promover a igualdade de gênero promove a liberdade de escolha, quebra as amarras sociais e é capaz de reverter quadros de segregação vertical e dar espaço para escolhas profissionais livres de esteriótipos, eliminando a segregação horizontal. O que temos que refletir aqui é que as pessoas tem aptidões, habilidades e preferências profissionais diversas, REPITO PESSOAS, independente de gênero! Essa ideia de que as mulheres são mais sentimentais e por isso devem ser enfermeiras, professoras, psicólogas. Enquanto homens são brutos e racionais e por isso devem ser engenheiros, arquitetos... enfim toda essa baboseira de carreira para mulheres e carreira para homens é o resultado de uma sociedade que segrega, cria esteriótipos e promove a desigualdade dos gêneros. Esses padrões sociais oprimem não apenas as mulheres, mas também os homens. E leva, consequentemente, a questões muito piores como o preconceito em ambiente de trabalho, a desvalorização da mulher no mercado e, em casos extremos a violência contra a mulher dentro do ambiente de trabalho.
Agora, para encerrar esses post que tal um momento DICAS DAS MANAS? Hoje indicamos uma matéria lançada pela BBC sobre um programa desenvolvido na Índia onde as mulheres trabalham na construção de casas. Esse projeto quebra o estigma social e o histórico de segregação horizontal ao colocar mulheres na atuando na área da construção civil, considerada socialmente uma carreira masculina. De quebra esse projeto promove o empoderamento da mulher. Confira a matéria na integra aqui:
E fica também a dica de uma matéria mara lançada pela TED Talks(se você nunca assistiu nenhuma conferência da TED Talks, corre amigx, esse projeto é divo demais) sobre mulheres cientistas, ou seja, basicamente fala sobre o poder da pepeca na ciência. Durante essa reportagem são apresentados dados tristíssimos, como o resultado de uma pesquisa que mostrou que muitos homens não acreditam que as mulheres possam ter capacidades e habilidades na área das ciências. AMOOOOOOOR. mAS, a TED arrasa e joga na cara da sociedade toda a força feminina na área das ciências. Confira a matéria aqui e conheça essas divas da ciência.
Por hoje é isso migas e migos, beijos de luz e como diria a diva Bey:
"I’m a grown woman, I can do whatever I want"
beijos de luz
Referências Bibliográficas:
BBC BRASIL. Projeto na Índia emprega só mulheres na construção de casas. Publicado em 27 de ago de 2015. Disponível em: <http://www.bbc.com/portuguese/videos_e_fotos/2015/08/150827_mulheres_pedreiras_lab?SThisFB>
ENG.Karen. Meet 12 Badass Scientists…Who Also Happen to be Women. Publicado em 8 de out de 2015. Disponpivel em: <https://medium.com/ted-fellows/meet-12-badass-scientists-who-also-happen-to-be-women-ace8d797bcad#.j11dfn826 >
GAUCHE,Susana; SILVEIRA, Amelia; VERDINELLI, Miguel Angel. Composição das equipes de gestão nas universidades públicas brasileiras: segregação de gênero horizontal e/ou vertical e presença de homosociabilidade. Publicado em nov de 2015. Disponível em: <http://www.anpad.org.br/diversos/trabalhos/EnGPR/engpr_2013/2013_EnGPR87.pdf>
OLINTO.Gilda. A inclusão das mulheres nas carreiras de ciência e tecnologia no Brasil. Inc. Soc., Brasília, DF, v. 5 n. 1, p.68-77, jul./dez. 2011. Disponível em: <http://revista.ibict.br/inclusao/index.php/inclusao/article/viewFile/240/208>
WHATWHYGUIDE. Os efeitos da discriminação de gênero. [s/d]. Disponível em: <http://pt.whatwhyguide.com/carreira-e-trabalho/os-efeitos-da-discriminacao-de-genero.php>
Hoje vamos deixar as coisas menos sérias e, já que falamos sobre políticas públicas e outras coisitas nesse blog, nada mais justo do que falar sobre algumas das lideranças políticas femininas desse mundão. Saibam que tem muita mulher poderosíssima liderando na política por aí, não só no Brasil!
Por isso hoje faremos um post mais light listando aqui algumas das líderes políticas atuantes no cenário mundial atual.
E vamos que vamos!
Angela Merkel
Entre os líderes alemães, Angela Merkel configura uma anomalia tripla: é mulher (divorciada, casada de novo, sem filhos), é cientista (química quântica) e é uma Ossi (ou seja, proveniente da Alemanha Oriental). Embora tais atributos façam dela uma outsider na política alemã, eles também ajudaram a impulsionar sua extraordinária ascensão. E, no entanto, na tentativa de explicar seu sucesso, alguns observadores olham para todos os lados, menos para a própria chanceler. Ao longo de sua carreira, a atual chanceler tem feito políticos mais velhos e mais poderosos – quase todos homens – pagarem um preço alto por subestimá-la (REVISTA PIAUI, 2015, p.01).
PODER. Muitos políticos que convivem com a Chanceler alemã a qualificam como uma mulher que pensa de maneira científica e objetiva, usando mais razão e menos coração. É considerada por muitos uma das melhores analistas de qualquer situação. Por isso, na hora de fazer política, Merkel talvez consiga um ótimo resultado. Não é atoa que, apesar da crise de 2008 e da atual crise dos imigrantes refugiados, a Alemanha ainda consegue se posicionar positivamente na economia, mantendo seu orçamento equilibrado. Angela Merkel foi eleita Chanceler da Alemanha no ano de 2015, e até hoje, exerce o cargo e ja foi reeleita sem adversários. Ainda enfrentando diversos problemas - como a questão de outros paises da União Europeia serem um tanto desconfiados da chanceler uma vez que estes não apresentam o equilíbrio econômico da Alemanha, a crise na Grécia que vislumbra 50% no nível de jovens desempregados e uma dívida de 320 bilhões de euros (fatores vislumbrados com a política de austeridade no país, implantada pelo Banco Central Europeu, a União Europeia e o FMI com o aval de Merkel ) - a chanceler alcançou um lugar na política mundial que é de cair o queixo. Temos aqui um exemplo de mulher que foi contra qualquer "normalidade" no ramo da política. Maravilhoso ver uma mulher liderar na política de maneira consistente, já entrou pra história. Se isso não for poder eu não sei o que é!
Dilma Rousseff
Primeiramente vamos esquecer os recalques porque, por mais que muita gente não queira a Dilma existe e é a primeira mulher a liderar o maior cargo político do país. CHORA INIMIGAS. A relação de Dilma com a politica começou há uns bons anos atrás quando ela, com cerca de 20 anos, foi militante na época da ditadura. Em várias entrevistas e relatos da presidenta ela comenta sobre a época mais dark do nosso país em que, além de lutar no movimento de esquerda, foi duramente torturada e perseguida na época da Ditadura Militar, participando de partidos e movimentos como o Comando de Libertação Nacional (COLINA) e a Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), ambos defendiam a luta armada contra a Ditadura. Após este período, Dilma, solta após três anos de encarceramento, mudou-se para o Rio Grande do Sul,em 1972, onde auxiliou na criação do Partido Democrático Trabalhista, primeiro passo no seu caminho rumo ao Palácio do Planalto alguma décadas depois. Eleita pela Forbes como a 7ª mulher mais poderosa do mundo, antes da presidência Dilma já foi Ministra de Minas e Energias, Chefe da Casa Civil e secretária da fazenda de Porto Alegre. Em todos esses cargos, Dilma foi a PRIMEIRA mulher a atuar nestas posições políticas. Ineditismo para poucos. Apesar dos problemas encontrados pela presidenta, o marco de ter uma mulher como chefe de Estado pela primeira vez no país é uma conquista notável. Além disso, a presidenta conseguiu dar continuidade a programas sociais criados na época de seu antecessor, Lula da Silva, como o Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida e o PROUNI. Além de passos à frente na política externa com a criação do Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS. Hilary Clinton
Hillary foi apenas a Secretária de Estado dos Estados Unidos, ok?! E não apenas isso, ela está na corrida para concorrer ao cargo de Presidência dos Estados Unidos da América pelo Partido Democrata. Antes de tudo isso Hilary graduou-se em Ciência Política pela Wellesley College e teve uma carreira política cheia de atributos mara. Ao tornar-se primeira-dama dos Estados Unidos (Clinton é espoca do ex-presidente dos EUA, Bil Clinton), Hillary obteve um papel de liderança na defesa de programas de proteção à crianças como a criação do Programa de Saúde para Crianças, Lei da Adoção e da Segurança Familiar, dentre outros. Tornou-se senadora no ano de 2000, e, ano de 2009, já como secretária de Estado dos Estados Unidos incentivou o empoderamento feminino em todas as esferas possíveis. Hillary defende a igualdade de direitos entre homens e mulheres, o que a faz ser uma graaaaande colega de nós feministas. Juntas somos mais YAY! Atualmente a ex-secretária de Estado está na liderança entre os pré-candidatos democratas na corrida pela candidatura à presidência dos EUA, estando 20 pontos a frente de seu concorrente Bernie Sanders. Se vencer as eleições para a presidência, Hilary será a primeira mulher a tornar-se Presidente dos EUA. Haja representatividade feminina!
"Precisamos proporcionar uma realidade onde haja melhores salários e oportunidades iguais para as mulheres e meninas, assim os direitos femininos serão, de uma vez por todas, Direitos Humanos." - Hillary Clinton
Sonia Gandhi Nem só de Europa e American Dream vive este mundão. Essa poderosíssima à esquerda é nada mais nada menos do que a Presidente do Partido do Congresso da Índia, eleita pela Forbes no ano de 2013 a 3ª mulher mais poderosa do mundo. Sônia é italiana e sua relação com a política se deu após casar-se com Rajiv Gandhi, herdeiro da dinastia política Nehru - Gandhi. Assumiu a presidência do congresso no ano de 1998. Sua grande contribuição e mudança na política indiana se deu quando a presidente alcançou a coesão e unificação do Partido do Congresso. Antes da entrada de Sonia na presidência, em 1996, o Congresso apresentava uma situação de verdadeiro bolo doido com diversos conflitos entre facções, revolta de líderes contra o presidente do partido e outros conflitos internos. Sonia entrou no pedaço e organizou a bagunça. ÊTA PRESIDENTA MARAVILHOSA Antes à estagnação do país, a Índia apresentava uma situação favorável tanto na questão econômica, quanto no desenvolvimento e acredita-se que a governança da presidenta contribuiu para isso.
Além dessas 4 maravilhas da política, ainda existem muuuuuitas outras mulheres liderando. Cristina Kirchner, Condoleeza Rice, Christina Lagarde, Margareth Chan, todas elas também exercem cargos importantíssimos na política mundial e estão por aí lacrannnndo. Caso você queira saber mais pode acessar esse link que lá você vai encontrar a lista destas mulheres incríveis. E por hoje é só!! Beijos de luz e até a próxima!
REVISTA EXAME. As 10 mulheres mais poderosas da política mundial. 2011. Disponível em: <http://exame.abril.com.br/carreira/noticias/as-10-mulheres-mais-poderosas-da-politica-mundial#4> REVISTA PIAUI. A Alemã Tranquila. 2015. Disponível em: <http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-102/carta-de-berlim/a-alema-tranquila> Dilma Rousseff: A Strong Record of Social Achievement. 2014. Disponível em: <http://www.telesurtv.net/english/news/Dilma-Rousseff-A-Strong-Record-of-Social-Achievement-20141231-0021.html>
Olá migas e migos, hoje nós vamos
descobrir o que é essa tal de Gender
Mainstreaming, que pode parecer pouco importante, mas que na verdade aprimorou
a abordagem que os Estados dão às questões de gênero.
E mais uma vez, isso só foi possível graças
a força dos movimentos feministas que contribuíram para que os feminismos alcançassem
escalas continentais e suas demandas chegaram até as esferas políticas internacionais promovidas
pela Organização das Nações Unidas (ONU). Foi a partir da construção da “agenda
de gênero”, resultante da crescente atuação feminina em movimentos sociais, que passaram a serem organizadas conferências internacionais
reunindo diversos líderes mundiais, movimentos feministas e burocratas. Durante essas conferências o conceito de gender mainstreaming foi ganhando forma e se tornou uma estratégia
para os Estados Nacionais responderem as demandas de políticas públicas de igualdade
de gênero.
Assim, gender mainstreaming é uma estratégia global para promoção da
igualdade de gênero. Essa abordagem visa à promoção das perspectivas de gênero
nas ações dos governos nacionais, garantindo atenção especial para atividades
como: o desenvolvimento de políticas, promoção de diálogo com a comunidade
civil, revisão e aprimoramento de legislações, alocação de recursos e
planejamento, implementação e monitoramento de programas e projetos etc.
Este conceito foi proposto pela
primeira vez em 1985, durante a III Conferência Mundial da Mulher. Mas, apenas
em 1995, dez anos depois, foi formalmente apresentado na IV Conferência Mundial
sobre a Mulher, em Pequim. Durante o evento o termo gender mainstreaming foi utilizado a fim
de promover uma análise baseada nas questões de gênero sobre as implicações de
ações políticas dos Estados. Ou seja,
essa conferência foi um marco para o desenvolvimento das políticas públicas de
gênero, pois chamou atenção dos lideres mundiais para um ponto, que hoje parece
óbvio, o impacto das políticas públicas sobre problemas de gênero e a
promoção da igualdade.
Outro marco importante da Conferência de
Pequim é que durante esse evento o conceito gender mainstreaming também trouxe para pauta o reconhecimento das questões de mulheres enquanto questões de gênero. Assim, o foco passou das mulheres para o conceito de
gênero, promovendo uma postura onde toda a estrutura da sociedade entre homens
e mulheres passam a ser questionadas, ou seja, “[...] As relações entre
mulheres e homens passam a ser vistas [...] levando em conta os papéis
socialmente atribuídos a cada um dos gêneros na sociedade, no trabalho, na
política, na família, nas instituições e em todos os aspectos das relações
humanas.” (MIRANDA; PARENTE, 2014, p.241)
O conceito de gender mainstreaming além de chamar atenção para as questões de gênero incorpora também, dentro de si, o conceito de
empoderamento das mulheres e transversalidade das questões de gênero, como
elementos base a serem considerados na hora da construção de programas e
projetos voltados para promoção da igualdade de gêneros. O empoderamento tem um papel essencial
de promoção da mulher, sendo um meio para promoção das mulheres " [enquanto] atrizes políticas, como agentes
históricos capazes de adquirir controle sobre o seu destino, sobre decisões
referentes à sua vida sexual e reprodutiva, e que o governo e a sociedade devem
criar as condições para tanto e apoiá-las nesse processo.” (MIRANDA; PARENTE,
2014, p.422)
Já a ideia de transversalidade de
gênero visa assegurar que a perspectiva de gênero passe a integrar todos os
aspectos das políticas públicas, em todas as dimensões de atuação dos governos
nacionais. O ponto central aqui é que não existam apenas órgãos governamentais
especializados em políticas para mulheres, mas sim que todo o aparato estatal
contribua, atue e inclua em seus projetos a promoção da igualdade de gênero.
O uso da abordagem degender mainstreaming também permite que os governos passem a adotar a ideia de que “para que uma
política de igualdade seja bem-sucedida, precisa considerar a dimensão de
gênero ao reconhecer que mulheres e homens têm papéis diferenciados nas
sociedades e que esses papéis foram construídos pela cultura – e, portanto,
podem ser desconstruídos em prol da igualdade...” (MIRANDA; PARENTE, 2014, p.424)
Gender Mainstreaming, we Love this Idea!!!!
Essa ideia é genial não é mesmo, afinal a chave para a promoção eficaz da igualdade de gênero pelas ações dos governos é permitir que as questões de gênero e a perspectiva de gênero perpasse todos os órgãos, programas e ações públicas do Estado...
Mas, nem tudo é flores, não é mesmo?! O mais triste, lindas e lindos é que pesquisando para escrever esse post percebemos que pouco
conteúdo sobre o tema pode ser encontrado em português, e são quase nulas as
produções governamentais que abordam o tema. Apesar da inclusão da perspectiva
de gênero nas políticas publicas brasileiras, o Brasil ainda precisa avançar
muito para incorporar o gender mainstreaming em todo o seu corpo governamental. Esse é um tema que o Brasil ainda precisa explorar, e muito!!
Enquanto no Brasil
pouco se escreve sobre as aplicações da estratégia de gender mainstreaming, sites do governo alemão, holandês e de
diversos países da Europa contam com arquivos de estudos e projetos
especificamente nessa área. Mas, não vamos desanimar. Como mencionado neste e m
diversos posts passados sempre mencionamos que todos os avanços políticos em
questões de gênero não existiriam sem a força e atuação dos movimentos sociais.
Então é seguir na luta, colega! Bota a cara no sol manae vamo que vamo...
Beijos de luxx
Referências bibliográficas:
MIRANDA, Cynthia M.; PARENTE, Temis G. Plataforma de ação de
Pequim, avanços e entraves ao gender mainstreaming.OPSIS, Catalão-GO, v. 14, n. 1, p.
415-430 - jan./jun. 2014.Disponível
em: <http://www.revistas.ufg.br/index.php/Opsis/article/viewFile/26330/17904>
[S/A]. Supporting gender mainstreaming: the work of
the Office of the Special Adviser on Gender Issues and Advancement of Women.Publicado em mar, 2001. Disponível em:<http://www.un.org/womenwatch/osagi/pdf/report.pdf>
O envolvimento de homens no movimento feminista é uma das
mais polêmicas pautas de discussão interna do movimento. As opiniões sobre o
assunto são muitas e diversas, passando por aquelas que acham que homens não
deveriam participar do movimento at all e chegando naquela (que inclusive
acreditamos ser a mais sensata) que defende a presença de homens no movimento
feminista sim, porém com “fááááááárias” ressalvas.
Aquelas que defendem a existência masculina no movimento
feminista acreditam que se devem deixar claros alguns pontos essenciais para a
integridade do movimento. A primeira “condição” para que homens possam
participar do movimento é mantê-los totalmente longe da frente feminista.
Apesar de ser um movimento horizontalmente organizado, seria ilógica a
ocorrência lideranças masculinas em um movimento que busca a equivalência
social de gênero devido à depreciação feminina em uma sociedade
aaaaaaaaaaltamente patriarcal. Além disso, é importante afastar aqueles que
procuram o movimento feminista para pegar mulheres ou para simplesmente para se
mostrar engajado para uma mulher (sim, minha cara, temos babacas desse naipe
respirando nosso ar). Há também aqueles casos clássicos de homens “feministas”
que realmente acreditam que podem ensinar mulheres a militar corretamente. A
presença de homens no movimento feminista de rua é estimulado, desde que eles
não tratem o ato como uma micareta, se fantasiando com batom e roupas femininas
para tentar “””””representar as mulheres”””””. Optamos por manter nossa pele
com o mínimo de rugas de stress possíveis e vamos apenas olhar pra esses
exemplos apresentados com um olhar digamos, de questionamento, para podemos
prosseguir com nossa discussão.
Mas e aí, você que é homem e está nos lendo agora. Tá na dúvida
de como ser feminista sem ferir o movimento? Claro que você está, é normal!
Entre homens e mulheres, basicamente ninguém nasceu dentro do feminismo para
saber tudo, pelo contrário, gradativamente, o feminismo nasce em você. Bom, se
tá complicado ainda é por que você está no caminho certo! Para te dar aquele
help, que tal seguir as dicas da Nádia Lapa, escritora da Carta Capital?
Nos seus ambientes masculinos, introduzindo o feminismo. No futebol com os amigos, no boteco, no café no intervalo na firma;
Não compartilhando, de jeito nenhum, imagens que diminuem a mulher ou que obviamente eram para uso íntimo e "vazaram" por um ex vingativo;
Posicionando-se contra seu colega de trabalho/faculdade/familiar que agrediu uma mulher;
Se ela estiver sozinha ou sem apoio, indo com ela a uma Delegacia da Mulher;
Propondo programas de equidade de gênero na empresa em que trabalha;
Não tratando a Marcha das Vadias como Carnaval ou micareta, se vestindo de mulher e passando batom. Ser mulher é muito mais difícil que isso. Proponha ao coletivo, por exemplo, ajudar na segurança da Marcha;
Compartilhando tarefas domésticas;
Não duvidando da palavra de uma mulher que foi vítima de agressão. Ela precisa de apoio, não de julgamento;
Se uma conhecida estiver bêbada na balada, certificando-se que ela chegou sã e salva em casa;
Deixando a mulher falar. A fala é dela. Não interrompa. Nunca. Ouça tudo;
Em hipótese alguma culpe a TPM por uma insatisfação real da sua amiga ou parceira;
Deixando de adquirir produtos e serviços que objetificam mulheres;
Parando de zoar o próprio filho ou o sobrinho por este querer um brinquedo que não é "de menino";
Abandonando de vez os xingamentos sobre a vida sexual da mulher (vadia, periguete, piranha).
Você pode engrandecer sua mente lendo o artigo completo aqui!
Fizemos esse breve esclarecimento sobre o papel dos homens no
movimento feminista pois trataremos agora de nosso assunto principal. O programa
HeForShe, criado pela ONU para dar mais força ao movimento feminista.
O HeForShe, chamado no Brasil de “ElesPorElas”, consiste em
um órgão que canaliza a vontade de homens de todo o mundo em contribuir para a
elevação do gênero feminino ao status de igualdade para com o masculino, uma
vez que estes tem ciência da discrepância social que é ser mulher em uma
sociedade patriarcal em todas as esferas possíveis, como a de segurança,
emprego, mídia e etc. Através do HeForShe, pessoas de todo o mundo podem se
inscrever gratuitamente para fins de se somar aos milhares de homens que apoiam
a causa. No site da iniciativa, é possível acompanhar um mapa que informa a
quantidade de homens inscritos em cada país, o que traz força para o movimento.
Ainda é possível adquirir produtos como camisetas e broches ou fazer doações
diretas, que serão direcionadas para políticas voltadas para as mulheres em
todo o mundo.
A campanha da ONU traz a atuação masculina para o movimento
feminista na medida certa. Não serão eles os protagonistas, todo o mérito que
eles receberão será limitado ao mérito colaborativo, o que não é, de fato,
negativo. Muitos homens questionam o movimento feminista pois acreditam que
este quer se lançar sobre suas existências e apenas alternar as alocações de
oprimido e opressor. Todavia, campanhas como o HeForShe, aliadas à educação e
políticas publicas voltadas para as mulheres, tem um potencial enoooooorme de
mudar esse paradigma patriarca. É uma questão de ação, posicionamento e
PRINCIPALMENTE, respeito, pois parça, O FEMINISMO É DELAS! Bibliografia: