A luta feminista vem sendo muito divulgada. Nas redes sociais, nas várias mídias. Isso é muito bom. Porém, pouca gente sabe que o feminismo foi se fortalecendo através de uma série de movimentos femininos que lutavam pela igualdade das mulheres, a nível social, mas também perante as leis. Os primeiros movimentos feministas advém do século XIX, liderados por mulheres que lutavam pela concessão do direito ao voto para as mulheres.
O termo Suffragettes origina-se de Sufrágio, ou direito de voto. As primeiras ativistas feministas surgiram no século XIX, na era pós-Revolução Industrial. O movimento teve início no Reino Unido, no ano 1897, com a criação da União Nacional pelo Sufrágio Feminino, pela educadora britânica Millicent Fawcett. A luta pelo sufrágio feminino, iniciada de forma pacífica, questionava o porquê da desconfiança social de que mulheres pudessem exercer participação no processo de elaboração de leis britânicas. Por adotarem movimentos de cunho pacíficos, essas líderes eram conhecidas como "sufragistas".
As leis direcionavam-se também à elas, mas as mesmas não podiam exercer o ato de voto político. As alegações que impediam a participação das mulheres no voto baseavam-se em um discurso filosófico de que as mulheres seriam incapazes de compreender a funcionalidade do Parlamento Britânico, e, por isso, não eram aptas a votarem.
Esse discurso sem pé nem cabeça inflamou os movimentos revolucionários de luta pelo sufrágio feminino e as "sufragetes", no ano de 1903 - com a criação da União Política e Social das Mulheres (ou WSPU) - foram às ruas lutar por seu direito de igualdade perante a formulação de leis. Com uma abordagem mais "inflamada", as sufragetes utilizavam o lema "DEEDS, NOT WORDS" ("ações, e não palavras"), reinvindicando uma movimentação que fosse além do discurso e se refletisse na prática. Essa era a diferença entre as sufragistas e as sufragetes. Enquanto as primeiras adotavam uma qualidade de moderação e constitucionalidade, pautadas no diálogo político, as sufragetes alegavam que essa abordagem era ineficaz e a luta nas ruas era necessária. A líder desse movimento era Emmeline Pankhurst.
Os dois movimentos trabalharam juntos em prol do sufrágio feminino. E o movimento das sufragetes, com sua sede oficial em Londres, foi criando força dentro do cenário político britânico, nas ruas, em tudo quanto é canto até que conseguissem lançar uma campanha de cunho nacional.
"[as sufragetes] desafiavam os deputados liberais; marcavam nos passeios os avisos de comícios e ações a serem levadas a cabo; partiam em bicicletas para divulgar as acções da WSPU pelos subúrbios londrinos; reuniam-se com as operárias às portas das fábricas na hora de almoço; produziam e encarregavam-se da distribuição da propaganda da WSPU por todo o Reino Unido." (ABREU, p.463 2002)
O movimento sufragete ocorreu em meio a muita violência. Mesmo com todo o trabalho de militância das líderes, a política da época não dava o braço a torcer e muitas mulheres participantes do movimento foram presas e sofriam, no encarceramento, com processos de tortura como o da "alimentação forçada". Ao realizarem greve de fome, as militantes encarceradas eram forçadas a se alimentarem através de tubos enfiados em suas gargantas.
A luta sufragete teve resultados, após muita violência e repressão política, no ano de 1918, com a reforma eleitoral em que o Parlamento Inglês finalmente reconheceu o direito feminino, agora expresso pelo direito do voto! UFA!!
O movimento sufragista britânico também teve respaldos em outros países, como nos Estados Unidos. E claramente o papel dessas mulheres se reflete até hoje. Na busca pela igualdade de gênero a política de sufrágio feminino tem todo o sentido, e, para a época, representou uma movimentação política nunca antes vista, principalmente por ser formada apenas por mulheres, que na época ainda sofriam todo tipo de adequação patriarcal. Ainda assim, esse movimento não foi o primeiro na percepção de igualdade de direitos entre homens e mulheres, e é possível encontrar obras mais antigas que tratam sobre essa pauta, como a obra de Mary Wollstonecraft Uma Reinvindicação pelos Direitos da Mulher, publicada em 1792.
E a luta continua pra honrarmos esses seres maravilhosos existentes na política e na luta pelos movimentos de igualdade de gênero e deixarmos pras próximas gerações um mundo menos desigual, do jeitinho que elas fizeram :D
Por falar em sufragetes, dia 23 de outubro estréia no cinema o filme biográfico da luta pelo Sufrágio Feminino, e há boatos de que ele vai entrar até na corrida pelo Óscar. ÊTA MULHERES MARAVILHOSAS.
No mais, ficamos por aí, e deixamos aqui o trailer pra você dar um conferida!
Beijos de luz e até a próxima!
Referências Bibliográficas
ABREU, Zina. LUTA DAS MULHERES PELO DIREITO DE VOTO movimentos sufragistas na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos. 2002. p.443-469. Disponível em: <http://repositorio.uac.pt/bitstream/10400.3/380/1/Zina_Abreu_p443-469.pdf> Acesso em 01 out. 2015
BBC. The Women's suffrage movements. Disponível em: <http://www.bbc.co.uk/bitesize/higher/history/britsuff/suffrage/revision/1/> Acesso em 01 out. 2015
BBC. Suffragettes. Women Recall their struggle to win the vote. Disponível em: <http://www.bbc.co.uk/archive/suffragettes/> Acesso em 01 out. 2015
MCDOWALL, Carolyn. Suffragette - Emmeline Pankhurst, Women of influence. Disponível em: <http://www.thecultureconcept.com/circle/suffragette-emmeline-pankhurst-leading-women-of-influence> Acesso em 01 out. 2015
Hoje vamos conhecer as Suffragettes!
As leis direcionavam-se também à elas, mas as mesmas não podiam exercer o ato de voto político. As alegações que impediam a participação das mulheres no voto baseavam-se em um discurso filosófico de que as mulheres seriam incapazes de compreender a funcionalidade do Parlamento Britânico, e, por isso, não eram aptas a votarem.
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| Millicent Fawcett - movimento "sufragista constitucionalista" |
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| Emmeline Pankhurst - movimento sufragete de lema 'DEEDS, NOT WORDS' |
"[as sufragetes] desafiavam os deputados liberais; marcavam nos passeios os avisos de comícios e ações a serem levadas a cabo; partiam em bicicletas para divulgar as acções da WSPU pelos subúrbios londrinos; reuniam-se com as operárias às portas das fábricas na hora de almoço; produziam e encarregavam-se da distribuição da propaganda da WSPU por todo o Reino Unido." (ABREU, p.463 2002)
O movimento sufragete ocorreu em meio a muita violência. Mesmo com todo o trabalho de militância das líderes, a política da época não dava o braço a torcer e muitas mulheres participantes do movimento foram presas e sofriam, no encarceramento, com processos de tortura como o da "alimentação forçada". Ao realizarem greve de fome, as militantes encarceradas eram forçadas a se alimentarem através de tubos enfiados em suas gargantas.
A luta sufragete teve resultados, após muita violência e repressão política, no ano de 1918, com a reforma eleitoral em que o Parlamento Inglês finalmente reconheceu o direito feminino, agora expresso pelo direito do voto! UFA!!
O movimento sufragista britânico também teve respaldos em outros países, como nos Estados Unidos. E claramente o papel dessas mulheres se reflete até hoje. Na busca pela igualdade de gênero a política de sufrágio feminino tem todo o sentido, e, para a época, representou uma movimentação política nunca antes vista, principalmente por ser formada apenas por mulheres, que na época ainda sofriam todo tipo de adequação patriarcal. Ainda assim, esse movimento não foi o primeiro na percepção de igualdade de direitos entre homens e mulheres, e é possível encontrar obras mais antigas que tratam sobre essa pauta, como a obra de Mary Wollstonecraft Uma Reinvindicação pelos Direitos da Mulher, publicada em 1792.
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| "Não desejo que as mulheres tenham poder sobre os homens, mas sobre si mesmas". |
E a luta continua pra honrarmos esses seres maravilhosos existentes na política e na luta pelos movimentos de igualdade de gênero e deixarmos pras próximas gerações um mundo menos desigual, do jeitinho que elas fizeram :D
Por falar em sufragetes, dia 23 de outubro estréia no cinema o filme biográfico da luta pelo Sufrágio Feminino, e há boatos de que ele vai entrar até na corrida pelo Óscar. ÊTA MULHERES MARAVILHOSAS.
No mais, ficamos por aí, e deixamos aqui o trailer pra você dar um conferida!
Referências Bibliográficas
ABREU, Zina. LUTA DAS MULHERES PELO DIREITO DE VOTO movimentos sufragistas na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos. 2002. p.443-469. Disponível em: <http://repositorio.uac.pt/bitstream/10400.3/380/1/Zina_Abreu_p443-469.pdf> Acesso em 01 out. 2015
BBC. The Women's suffrage movements. Disponível em: <http://www.bbc.co.uk/bitesize/higher/history/britsuff/suffrage/revision/1/> Acesso em 01 out. 2015
BBC. Suffragettes. Women Recall their struggle to win the vote. Disponível em: <http://www.bbc.co.uk/archive/suffragettes/> Acesso em 01 out. 2015
MCDOWALL, Carolyn. Suffragette - Emmeline Pankhurst, Women of influence. Disponível em: <http://www.thecultureconcept.com/circle/suffragette-emmeline-pankhurst-leading-women-of-influence> Acesso em 01 out. 2015




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