quinta-feira, 5 de novembro de 2015

A violência contra a mulher abordada no ENEM




Negros, brancos, indígenas, homens, cristãos, mulheres, ateus, transexuais, etc... 5,7 milhões de pessoas de todas as raças, credos e faixas etárias tiveram que refletir e dar seu parecer sobre a violência contra a mulher durante a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), a principal prova para ingresso em universidades públicas do todo o Brasil.

A prova deste ano foi aclamada e comentada em todas as vias de comunicação brasileiras, principalmente a internet. Os internautas aplaudiram de pé a composição das questões do exame, que trazia autores das mais diferentes vertentes sociológicas e políticas como Max Weber, Thomas Hobbes, Nietzsche e Paulo Freire. A menina dos olhos das questões do Enem porém, foi uma pergunta que trazia a citação da filósofa francesa Simone de Beauvoir, considerada uma dos maiores nomes do feminismo mundial.

Questão 42
Ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam o feminino. BEAUVOIR, S. O segundo sexo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980.



Além de uma belezura dessas no meio da provinha mais badalada do Brasil, o tema da redação abordava a violência contra a mulher e as leis de feminicídio com o tema “a persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira”. Imaginar o impacto que a abordagem desse tema em uma prova de tamanha magnitude chega a encher o peito de orgulho só de ver tantas cabeças pensando, escrevendo e principalmente ESCREVENDO SEM PODER FALAR AS GRANDES “BELEZAS” QUE SE VÊ PELAS REDES SOCIAIS.


A presença do tema na prova que mais reúne estudantes em um país do tamanho do nosso significa que o feminismo chegou onde devia estar a muito tempo, nas mesas de almoço, nas salas de TV, nos jornais e portais de notícia... Na boca do povo! Colocar um assunto tão polêmico em discussão nacional é assumir – e enfiar goela abaixo de quem discordar – que a violência contra a mulher é um problema real, grave e que acontece em grande escala!

O Brasil conta com a Lei Maria da Penha para dar amparo às mulheres vítimas de violência, que é conhecida por 98% da população. O nome dessa lei vem da cearense Maria da Penha Maia Fernandes, de 70 anos, que ficou paraplégica depois de sofrer um ataque covarde e desumano de seu ex-marido agressor, que tentou mata-la com tiros nas costas enquanto ela dormia. A satisfação sentida por Maria foi expressa em entrevista com o Portal G1 de notícias: "Fiquei feliz, o tema realmente está na boca do povo agora. Plantou uma semente”.

Ao se colocar no lugar dos estudantes, Maria da Penha afim que sua sugestão de intervenção social teria duas frentes: a educação e as políticas públicas.

“[Minha proposta] seria a de investir na educação para conscientizar as pessoas de que as mulheres, em seus relacionamentos, têm que ter seus direitos humanos respeitados. A educação trabalha nesse sentido, do respeito ao outro", explicou ela. "E também que haja uma mudança da cultura machista, com a criação das políticas públicas onde a mulher possa denunciar, possa ser protegida, e o seu agressor possa ser punido. A finalidade da lei é exatamente punir o agressor. A gente não quer punir o homem, a gente quer punir o homem que não respeita sua mulher."
Acreditamos que o Ministério da Educação fez um gol de placa inserindo o assunto, que de fato ganhou grande repercussão em 2015, em uma prova que é de acesso de tantos indivíduos. A significância do acontecido está no fato de que existem casas onde o feminismo nunca entrou, nem pela telinha de um celular sequer. Uma vez que tantos são obrigados a pararem suas vidas e dar um parecer formal, inteligente e que será avaliado sobre a questão do feminicídio, tem-se a perspectiva de que o assunto se alastrará mais e mais dentro dos domicílios brasileiros.

Bibliografia:

PORTAL FÓRUM. Com Simone de Beauvoir, Enem teve questão sobre feminismo. Disponível em: <http://www.revistaforum.com.br/blog/2015/10/com-simone-de-beauvoir-enem-teve-questao-sobre-feminismo/>
PORTAL EBC. Com redação sobre violência contra a mulher, Enem 2015 é considerado "feminista" nas redes. Disponível em: <http://www.ebc.com.br/educacao/2015/10/com-redacao-sobre-violencia-contra-mulher-enem-2015-e-considerado-feminista-nas>

PORTAL G1. Redação do Enem 2015 'plantou uma semente', diz Maria da Penha. 2015. Disponível em: <http://g1.globo.com/educacao/enem/2015/noticia/2015/10/redacao-do-enem-2015-plantou-uma-semente-diz-maria-da-penha.html>

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