Em um dos posts passados nos falamos um pouco sobre a igualdade de gênero e o mercado de trabalho. A discriminação sofrida pelas mulheres no ambiente de trabalho, as diferentes taxas salariais e oportunidades reduzidas, etc. são apenas alguns dos muitos problemas sociais resultantes do preconceito de gênero. Em vista dos problemas sociais que o preconceito de gênero gera, promover a igualdade de gênero no mercado de trabalho faz parte da agenda de políticas públicas de muitos países, incluindo o Brasil. Infelizmente, ainda existe uma grande resistência (na política e na sociedade) que perpetua a manutenção das grandes diferenças entre homens e mulheres em relação a suas atividades profissionais.
No post de hoje vamos falar sobre dois termos, que vocês já podem até conhecer, mas que são inéditos para nós editores desse blog: a segregação horizontal e a segregação vertical. Porque falar sobre esses dois termos? Simplesmente porque essas duas formas de segregação estão diretamente ligadas com as desigualdades que as mulheres enfrentam no mercado de trabalho. Esses modelos de segregação perpetuam a desigualdade de gênero e estão tão intrínsecos a nossa cultura que chega a ser desesperador e assustador imaginar a reversão dos seus efeitos.
Muitos sociólogos descrevem o local de trabalho e a sociedade em geral como ambientes sexualmente segregados, isso quer dizer que homens e mulheres têm papéis sociais, pré-determinados e consequentemente conjunto de oportunidades diferentes. É nesse sentido que a promoção de estereótipos de gêneros vai criar o que os sociólogos classificam como segregação horizontal e segregação vertical. De modo bem simplificado, a segregação horizontal refere-se à separação de gêneros para determinadas atividades, como permitir que apenas os homens atividades ligados ao exército e encorajar as mulheres a serem professoras ou enfermeiras. Em resumo, a segregação horizontal dita o que é trabalho para homem e o que é trabalho para mulher. No caso da segregação horizontal, esta faz com que as escolhas de carreira sejam baseadas em questões de gênero. Compete as mulheres as chamadas “profissões femininas” e aos homens as “profissões masculinas”. O mais interessante aqui, é que nesta questão específica das questões de gênero, tanto os homens quanto as mulheres sofrem os efeitos negativos dos padrões sociais, afinal qualquer homem ou mulher que escolha uma carreira fora da “sua caixa de gênero” tem que enfrentar enormes desafios para serem aceitos, bem-sucedidos e respeitados no mercado de trabalho.
Já a segregação vertical refere-se, “à prevenção de uma espécie de ascendente para uma posição mais elevada, o que não permite que as mulheres tornam-se gestores e saliências.”, ou seja, a segregação vertical está ligada a ascensão da mulher em seu cargo. Por exemplo, as mulheres encontram diversas barreiras e dificuldades para atingirem cargos de liderança em grandes empresas, pois "culturalmente" a sociedade não acredita que as mulheres são capazes de liderar. A segregação vertical está diretamente vinculada com a desvalorização das consideradas “profissões femininas”, se as mulheres são desvalorizadas socialmente, suas profissões também são subvalorizadas. A segregação vertical diz respeito a manutenção das mulheres em cargos de subordinação, ou em outros palavras, cargos que não tem perspectiva de progresso.
(vamos parar com essa palhaçada de carreira para homem e carreira para mulher?)
Basicamente o que temos por traz desses modelos de segregação é uma estrutura social construída através de uma rede de crenças, valores e atitudes que formam estereótipos sobre as habilidades e competências diferentes entre homens e mulheres. Esses padrões sociais constrangem as mulheres, criando barreiras que limitam suas escolhas profissionais. Assim, através da segregação horizontal/vertical as mulheres são levadas,consciente e inconscientemente, a seguirem caminhos e escolherem carreiras dentro do "leque social das carreiras cabíveis ao gênero feminino".
Sobre os efeitos sociais desses dois tipos de segregação podemos dizer que devido as pressões sociais, ainda hoje a imposição dos esteriótipos de carreira para mulheres e carreira para homens, influenciam as escolhas das mulheres. Muitas mulheres tem escolhido trabalhar em empregos "típicos femininos". De forma consciente e inconscientemente, ou seja, levando em consideração não apenas suas habilidades ou desejos, mas principalmente aquilo que lhe é esperado socialmente – ou ainda mascarando e criando habilidades consideradas “femininas” – as mulheres são levadas a escolher suas profissão e carreira de acordo com aquilo que a sociedade lhe dita como sua competência.
Por exemplo, uma pesquisa realizada, em 2010, pelo CNPq, no Diretório de Grupos de Pesquisa (DGP) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) apontou que, apesar da grande inserção da mulher no mercado e no meio acadêmico (em 2010 se encontravam registradas 130 mil pesquisadores no CNPq dos quais a metade eram mulheres), as mulheres se limitam em grande maioria na atuação de pesquisas nas áreas de ciências humanas e sociais, enquanto os homens se encontram nas áreas de exatas, principalmente engenharias.
O pior de tudo é que enquanto nossa sociedade acreditar que as mulheres tem capacidades diferentes dos homens, a segregação horizontal e vertical terá terreno para fincar raízes mais profundas e se espalhar. O que defendemos aqui é que promover a igualdade de gênero promove a liberdade de escolha, quebra as amarras sociais e é capaz de reverter quadros de segregação vertical e dar espaço para escolhas profissionais livres de esteriótipos, eliminando a segregação horizontal. O que temos que refletir aqui é que as pessoas tem aptidões, habilidades e preferências profissionais diversas, REPITO PESSOAS, independente de gênero! Essa ideia de que as mulheres são mais sentimentais e por isso devem ser enfermeiras, professoras, psicólogas. Enquanto homens são brutos e racionais e por isso devem ser engenheiros, arquitetos... enfim toda essa baboseira de carreira para mulheres e carreira para homens é o resultado de uma sociedade que segrega, cria esteriótipos e promove a desigualdade dos gêneros. Esses padrões sociais oprimem não apenas as mulheres, mas também os homens. E leva, consequentemente, a questões muito piores como o preconceito em ambiente de trabalho, a desvalorização da mulher no mercado e, em casos extremos a violência contra a mulher dentro do ambiente de trabalho.
Agora, para encerrar esses post que tal um momento DICAS DAS MANAS? Hoje indicamos uma matéria lançada pela BBC sobre um programa desenvolvido na Índia onde as mulheres trabalham na construção de casas. Esse projeto quebra o estigma social e o histórico de segregação horizontal ao colocar mulheres na atuando na área da construção civil, considerada socialmente uma carreira masculina. De quebra esse projeto promove o empoderamento da mulher. Confira a matéria na integra aqui:
E fica também a dica de uma matéria mara lançada pela TED Talks(se você nunca assistiu nenhuma conferência da TED Talks, corre amigx, esse projeto é divo demais) sobre mulheres cientistas, ou seja, basicamente fala sobre o poder da pepeca na ciência. Durante essa reportagem são apresentados dados tristíssimos, como o resultado de uma pesquisa que mostrou que muitos homens não acreditam que as mulheres possam ter capacidades e habilidades na área das ciências. AMOOOOOOOR. mAS, a TED arrasa e joga na cara da sociedade toda a força feminina na área das ciências. Confira a matéria aqui e conheça essas divas da ciência.
Por hoje é isso migas e migos, beijos de luz e como diria a diva Bey:
"I’m a grown woman, I can do whatever I want"
beijos de luz
Referências Bibliográficas:
BBC BRASIL. Projeto na Índia emprega só mulheres na construção de casas. Publicado em 27 de ago de 2015. Disponível em: <http://www.bbc.com/portuguese/videos_e_fotos/2015/08/150827_mulheres_pedreiras_lab?SThisFB>
ENG.Karen. Meet 12 Badass Scientists…Who Also Happen to be Women. Publicado em 8 de out de 2015. Disponpivel em: <https://medium.com/ted-fellows/meet-12-badass-scientists-who-also-happen-to-be-women-ace8d797bcad#.j11dfn826 >
GAUCHE,Susana; SILVEIRA, Amelia; VERDINELLI, Miguel Angel. Composição das equipes de gestão nas universidades públicas brasileiras: segregação de gênero horizontal e/ou vertical e presença de homosociabilidade. Publicado em nov de 2015. Disponível em: <http://www.anpad.org.br/diversos/trabalhos/EnGPR/engpr_2013/2013_EnGPR87.pdf>
OLINTO.Gilda. A inclusão das mulheres nas carreiras de ciência e tecnologia no Brasil. Inc. Soc., Brasília, DF, v. 5 n. 1, p.68-77, jul./dez. 2011. Disponível em: <http://revista.ibict.br/inclusao/index.php/inclusao/article/viewFile/240/208>
WHATWHYGUIDE. Os efeitos da discriminação de gênero. [s/d]. Disponível em: <http://pt.whatwhyguide.com/carreira-e-trabalho/os-efeitos-da-discriminacao-de-genero.php>























