sábado, 31 de outubro de 2015

A inclusão das mulheres: segregação horizontal e segregação vertical

Em um dos posts passados nos falamos um pouco sobre a igualdade de gênero e o mercado de trabalho. A discriminação sofrida pelas mulheres no ambiente de trabalho, as diferentes taxas salariais e oportunidades reduzidas, etc. são apenas alguns dos muitos problemas sociais resultantes do preconceito de gênero. Em vista dos problemas sociais que o preconceito de gênero gera, promover a igualdade de gênero no mercado de trabalho faz parte da agenda de políticas públicas de muitos países, incluindo o Brasil. Infelizmente, ainda existe uma grande resistência (na política e na sociedade) que perpetua a manutenção das grandes diferenças entre homens e mulheres em relação a suas atividades profissionais. 

No post de hoje vamos falar sobre dois termos, que vocês já podem até conhecer, mas que são inéditos para nós editores desse blog: a segregação horizontal e a segregação vertical.  Porque falar sobre esses dois termos? Simplesmente porque essas duas formas de segregação estão diretamente ligadas com as desigualdades que as mulheres enfrentam no mercado de trabalho. Esses modelos de segregação perpetuam a desigualdade de gênero e estão tão intrínsecos a nossa cultura que chega a ser desesperador e assustador imaginar a reversão dos seus efeitos. 

Muitos sociólogos descrevem o local de trabalho e a sociedade em geral como ambientes sexualmente segregados, isso quer dizer que homens e mulheres têm papéis sociais, pré-determinados e consequentemente conjunto de oportunidades diferentes. É nesse sentido que a promoção de estereótipos de gêneros vai criar o que os sociólogos classificam como segregação horizontal e segregação vertical. De modo bem simplificado, a segregação horizontal refere-se à separação de gêneros para determinadas atividades, como permitir que apenas os homens atividades ligados ao exército e encorajar as mulheres a serem professoras ou enfermeiras. Em resumo, a segregação horizontal dita o que é trabalho para homem e o que é trabalho para mulher. No caso da segregação horizontal, esta faz com que as escolhas de carreira sejam baseadas em questões de gênero. Compete as mulheres as chamadas “profissões femininas” e aos homens as “profissões masculinas”.  O mais interessante aqui, é que nesta questão específica das questões de gênero, tanto os homens quanto as mulheres sofrem os efeitos negativos dos padrões sociais, afinal qualquer homem ou mulher que escolha uma carreira fora da “sua caixa de gênero” tem que enfrentar enormes desafios para serem aceitos, bem-sucedidos e respeitados no mercado de trabalho. 

Já a segregação vertical refere-se, “à prevenção de uma espécie de ascendente para uma posição mais elevada, o que não permite que as mulheres tornam-se gestores e saliências.”, ou seja, a segregação vertical está ligada a ascensão da mulher em seu cargo. Por exemplo, as mulheres encontram diversas barreiras e dificuldades para atingirem cargos de liderança em grandes empresas, pois "culturalmente" a sociedade não acredita que as mulheres são capazes de liderar. A segregação vertical está diretamente vinculada com a desvalorização das consideradas “profissões femininas”, se as mulheres são desvalorizadas socialmente, suas profissões também são subvalorizadas. A segregação vertical diz respeito a manutenção das mulheres em cargos de subordinação, ou em outros palavras, cargos que não tem perspectiva de progresso.
(vamos parar com essa palhaçada de carreira para homem e carreira para mulher?)

Basicamente o que temos por traz desses modelos de segregação é uma  estrutura social construída através de uma rede de crenças, valores e atitudes que formam estereótipos sobre as habilidades e competências diferentes entre homens e mulheres. Esses padrões sociais constrangem as mulheres, criando barreiras que limitam suas escolhas profissionais. Assim, através da segregação horizontal/vertical as mulheres são levadas,consciente e inconscientemente,  a seguirem caminhos e escolherem carreiras dentro do "leque social das carreiras cabíveis ao gênero feminino".

Sobre os efeitos sociais desses dois tipos de segregação podemos dizer que devido as pressões sociais, ainda hoje a imposição dos esteriótipos de carreira para mulheres e carreira para homens, influenciam as escolhas das mulheres. Muitas mulheres tem escolhido trabalhar em empregos "típicos femininos". De forma consciente e inconscientemente, ou seja, levando em consideração não apenas suas habilidades ou desejos, mas principalmente aquilo que lhe é esperado socialmente – ou ainda mascarando e criando habilidades consideradas “femininas” – as mulheres são levadas a escolher suas profissão e carreira de acordo com aquilo que a sociedade lhe dita como sua competência. 

Por exemplo, uma pesquisa realizada, em 2010, pelo CNPq, no Diretório de Grupos de Pesquisa (DGP) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) apontou que, apesar da grande inserção da mulher no mercado e no meio acadêmico (em 2010 se encontravam registradas 130 mil pesquisadores no CNPq dos quais a metade eram mulheres), as mulheres se limitam em grande maioria na atuação de pesquisas nas áreas de ciências humanas e sociais, enquanto os homens se encontram nas áreas de exatas, principalmente engenharias. 


O pior de tudo é que enquanto nossa sociedade acreditar que as mulheres tem capacidades diferentes dos homens, a segregação horizontal e vertical terá terreno para fincar raízes mais profundas e se espalhar. O que defendemos aqui é que promover a igualdade de gênero promove a liberdade de escolha, quebra as amarras sociais e é capaz de reverter quadros de segregação vertical e dar espaço para escolhas profissionais livres de esteriótipos, eliminando a segregação horizontal. O que temos que refletir aqui é que as pessoas tem aptidões, habilidades e preferências profissionais diversas, REPITO PESSOAS, independente de gênero! Essa ideia de que as mulheres são mais sentimentais e por isso devem ser enfermeiras, professoras, psicólogas. Enquanto homens são brutos e racionais e por isso devem ser engenheiros, arquitetos... enfim toda essa baboseira de carreira para mulheres e carreira para homens é o resultado de uma sociedade que segrega, cria esteriótipos e promove a desigualdade dos gêneros. Esses padrões sociais oprimem não apenas as mulheres, mas também os homens. E leva, consequentemente, a questões muito piores como o preconceito em ambiente de trabalho, a desvalorização da mulher no mercado e, em casos extremos a violência contra a mulher dentro do ambiente de trabalho. 

Agora, para encerrar esses post que tal um momento DICAS DAS MANAS? Hoje indicamos uma matéria lançada pela BBC sobre um programa desenvolvido na Índia onde as mulheres trabalham na construção de casas. Esse projeto quebra o estigma social e o histórico de segregação horizontal ao colocar mulheres na atuando na área da construção civil, considerada socialmente uma carreira masculina. De quebra esse projeto promove o empoderamento da mulher. Confira a matéria na integra aqui:



E fica também a dica de uma matéria mara lançada pela TED Talks(se você nunca assistiu nenhuma conferência da TED Talks, corre amigx, esse projeto é divo demais) sobre mulheres cientistas, ou seja, basicamente fala sobre o poder da pepeca na ciência.  Durante essa reportagem são apresentados dados tristíssimos, como o resultado de uma pesquisa que mostrou  que muitos homens não acreditam que as mulheres possam ter capacidades e habilidades na área das ciências. AMOOOOOOOR. mAS, a TED arrasa e joga na cara da sociedade toda a força feminina na área das ciências. Confira a matéria aqui e conheça essas divas da ciência. 

Por hoje é isso migas e migos, beijos de luz e como diria a diva Bey:

"I’m a grown woman, I can do whatever I want"

beijos de luz

Referências Bibliográficas:

BBC BRASIL. Projeto na Índia emprega só mulheres na construção de casas. Publicado em 27 de ago de 2015. Disponível em: <http://www.bbc.com/portuguese/videos_e_fotos/2015/08/150827_mulheres_pedreiras_lab?SThisFB>
ENG.Karen. Meet 12 Badass Scientists…Who Also Happen to be Women. Publicado em 8 de out de 2015. Disponpivel em: <https://medium.com/ted-fellows/meet-12-badass-scientists-who-also-happen-to-be-women-ace8d797bcad#.j11dfn826 >
GAUCHE,Susana; SILVEIRA, Amelia; VERDINELLI, Miguel Angel. Composição das equipes de gestão nas universidades públicas brasileiras: segregação de gênero horizontal e/ou vertical e presença de homosociabilidade. Publicado em nov de 2015. Disponível em: <http://www.anpad.org.br/diversos/trabalhos/EnGPR/engpr_2013/2013_EnGPR87.pdf>
OLINTO.Gilda. A inclusão das mulheres nas carreiras de ciência e tecnologia no Brasil. Inc. Soc., Brasília, DF, v. 5 n. 1, p.68-77, jul./dez. 2011. Disponível em: <http://revista.ibict.br/inclusao/index.php/inclusao/article/viewFile/240/208>
WHATWHYGUIDE. Os efeitos da discriminação de gênero. [s/d]. Disponível em: <http://pt.whatwhyguide.com/carreira-e-trabalho/os-efeitos-da-discriminacao-de-genero.php>

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Lideranças Femininas na Política Mundial

Olaaaa pessoas!



WHO RUN THE POLÍTICA???


Hoje vamos deixar as coisas menos sérias e, já que falamos sobre políticas públicas e outras coisitas nesse blog, nada mais justo do que falar sobre algumas das lideranças políticas femininas desse mundão. Saibam que tem muita mulher poderosíssima liderando na política por aí, não só no Brasil!
Por isso hoje faremos um post mais light listando aqui algumas das líderes políticas atuantes no cenário mundial atual.
E vamos que vamos!


Angela Merkel
Entre os líderes alemães, Angela Merkel configura uma anomalia tripla: é mulher (divorciada, casada de novo, sem filhos), é cientista (química quântica) e é uma Ossi (ou seja, proveniente da Alemanha Oriental). Embora tais atributos façam dela uma outsider na política alemã, eles também ajudaram a impulsionar sua extraordinária ascensão. E, no entanto, na tentativa de explicar seu sucesso, alguns observadores olham para todos os lados, menos para a própria chanceler. Ao longo de sua carreira, a atual chanceler tem feito políticos mais velhos e mais poderosos – quase todos homens – pagarem um preço alto por subestimá-la (REVISTA PIAUI, 2015, p.01).


PODER. Muitos políticos que convivem com a Chanceler alemã a qualificam como uma mulher que pensa de maneira científica e objetiva, usando mais razão e menos coração. É considerada por muitos uma das melhores analistas de qualquer situação. Por isso, na hora de fazer política, Merkel talvez consiga um ótimo resultado. Não é atoa que, apesar da crise de 2008 e da atual crise dos imigrantes refugiados, a Alemanha ainda consegue se posicionar positivamente na economia, mantendo seu orçamento equilibrado.
Angela Merkel foi eleita Chanceler da Alemanha no ano de 2015, e até hoje, exerce o cargo e ja foi reeleita sem adversários. 
Ainda enfrentando diversos problemas - como a questão de outros paises da União Europeia serem um tanto desconfiados da chanceler uma vez que estes não apresentam o equilíbrio econômico da Alemanha, a crise na Grécia que vislumbra 50% no nível de jovens desempregados e uma dívida de 320 bilhões de euros (fatores vislumbrados com a política de austeridade no país, implantada pelo Banco Central Europeu, a União Europeia e o FMI com o aval de Merkel ) - a chanceler alcançou um lugar na política mundial que é de cair o queixo. Temos aqui um exemplo de mulher que foi contra qualquer "normalidade" no ramo da política. Maravilhoso ver uma mulher liderar na política de maneira consistente, já entrou pra história. Se isso não for poder eu não sei o que é!


Dilma Rousseff

Primeiramente vamos esquecer os recalques porque, por mais que muita gente não queira a Dilma existe e é a primeira mulher a liderar o maior cargo político do país. CHORA INIMIGAS. A relação de Dilma com a politica começou há uns bons anos atrás quando ela, com cerca de 20 anos, foi militante na época da ditadura. Em várias entrevistas e relatos da presidenta ela comenta sobre a época mais dark do nosso país em que, além de lutar no movimento de esquerda, foi duramente torturada e perseguida na época da Ditadura Militar, participando de partidos e movimentos como o Comando de Libertação Nacional (COLINA) e a Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), ambos defendiam a luta armada contra a Ditadura. Após este período, Dilma, solta após três anos de encarceramento, mudou-se para o Rio Grande do Sul,em 1972, onde auxiliou na criação do Partido Democrático Trabalhista, primeiro passo no seu caminho rumo ao Palácio do Planalto alguma décadas depois.
Eleita pela Forbes como a 7ª mulher mais poderosa do mundo, antes da presidência Dilma já foi Ministra de Minas e Energias, Chefe da Casa Civil e secretária da fazenda de Porto Alegre. Em todos esses cargos, Dilma foi a PRIMEIRA mulher a atuar nestas posições políticas. Ineditismo para poucos.
Apesar dos problemas encontrados pela presidenta, o marco de ter uma mulher como chefe de Estado pela primeira vez no país é uma conquista notável. Além disso, a presidenta conseguiu dar continuidade a programas sociais criados na época de seu antecessor, Lula da Silva, como o Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida e o PROUNI. Além de passos à frente na política externa com a criação do Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS.


Hilary Clinton 
Hillary foi apenas a Secretária de Estado dos Estados Unidos, ok?! E não apenas isso, ela está na corrida para concorrer ao cargo de Presidência dos Estados Unidos da América pelo Partido Democrata. Antes de tudo isso Hilary graduou-se em Ciência Política pela Wellesley College e teve uma carreira política cheia de atributos mara. Ao tornar-se primeira-dama dos Estados Unidos (Clinton é espoca do ex-presidente dos EUA, Bil Clinton), Hillary obteve um papel de liderança na defesa de programas de proteção à crianças como a criação do Programa de Saúde para Crianças, Lei da Adoção e da Segurança Familiar, dentre outros.
Tornou-se senadora no ano de 2000, e, ano de 2009, já como secretária de Estado dos Estados Unidos incentivou o empoderamento feminino em todas as esferas possíveis.
Hillary defende a igualdade de direitos entre homens e mulheres, o que a faz ser uma graaaaande colega de nós feministas. Juntas somos mais YAY! 
Atualmente a ex-secretária de Estado está na liderança entre os pré-candidatos democratas na corrida pela candidatura à presidência dos EUA, estando 20 pontos a frente de seu concorrente Bernie Sanders. Se vencer as eleições para a presidência, Hilary será a primeira mulher a tornar-se Presidente dos EUA. Haja representatividade feminina!

"Precisamos proporcionar uma realidade onde haja melhores salários e oportunidades iguais para as mulheres e meninas, assim os direitos femininos serão, de uma vez por todas, Direitos Humanos." - Hillary Clinton


 Sonia Gandhi
Nem só de Europa e American Dream vive este mundão. Essa poderosíssima à esquerda é nada mais nada menos do que a Presidente do Partido do Congresso da Índia, eleita pela Forbes no ano de 2013 a 3ª mulher mais poderosa do mundo. Sônia é italiana e sua relação com a política se deu após casar-se com Rajiv Gandhi, herdeiro da dinastia política Nehru - Gandhi. Assumiu a presidência do congresso no ano de 1998.
Sua grande contribuição e mudança na política indiana se deu quando a presidente alcançou a coesão e unificação do Partido do Congresso. Antes da entrada de Sonia na presidência, em 1996, o Congresso apresentava uma situação de verdadeiro bolo doido com diversos conflitos entre facções, revolta de líderes contra o presidente do partido e outros conflitos internos. Sonia entrou no pedaço e organizou a bagunça. ÊTA PRESIDENTA MARAVILHOSA
Antes à estagnação do país, a Índia apresentava uma situação favorável tanto na questão econômica, quanto no desenvolvimento e acredita-se que a governança da presidenta contribuiu para isso.






 

Além dessas 4 maravilhas da política, ainda existem muuuuuitas outras mulheres liderando. Cristina Kirchner, Condoleeza Rice, Christina Lagarde, Margareth Chan, todas elas também exercem cargos importantíssimos na política mundial e estão por aí lacrannnndo. Caso você queira saber mais pode acessar esse link que lá você vai encontrar a lista destas mulheres incríveis.

E por hoje é só!! 
Beijos de luz e até a próxima!



Referências

BIO. Hillary Clinton. 2015. Disponível em: <http://www.biography.com/people/hillary-clinton-9251306>

HISTORY POLITICS. Sonia Gandhi. 2015. Disponível em: <https://www.sscnet.ucla.edu/southasia/History/Independent/Sonia.html>

REVISTA EXAME. As 10 mulheres mais poderosas da política mundial. 2011. Disponível em: <http://exame.abril.com.br/carreira/noticias/as-10-mulheres-mais-poderosas-da-politica-mundial#4>

REVISTA PIAUI. A Alemã Tranquila. 2015. Disponível em: <http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-102/carta-de-berlim/a-alema-tranquila>
Dilma Rousseff: A Strong Record of Social Achievement. 2014. Disponível em: <http://www.telesurtv.net/english/news/Dilma-Rousseff-A-Strong-Record-of-Social-Achievement-20141231-0021.html>

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Você sabe o que significa gender mainstreaming?

Olá migas e migos, hoje nós vamos descobrir o que é essa tal de Gender Mainstreaming, que pode parecer pouco importante, mas que na verdade aprimorou a abordagem que os Estados dão às questões de gênero.  

E mais uma vez, isso só foi possível graças a força dos movimentos feministas que contribuíram para que os feminismos alcançassem escalas continentais e suas demandas chegaram até as  esferas políticas internacionais promovidas pela Organização das Nações Unidas (ONU). Foi a partir da construção da “agenda de gênero”, resultante da crescente atuação feminina em movimentos sociais, que passaram a serem organizadas conferências internacionais reunindo diversos líderes mundiais, movimentos feministas e burocratas. Durante essas conferências o conceito de gender mainstreaming foi ganhando forma e se tornou uma estratégia para os Estados Nacionais responderem as demandas de políticas públicas de igualdade de gênero.



Assim, gender mainstreaming é uma estratégia global para promoção da igualdade de gênero. Essa abordagem visa à promoção das perspectivas de gênero nas ações dos governos nacionais, garantindo atenção especial para atividades como: o desenvolvimento de políticas, promoção de diálogo com a comunidade civil, revisão e aprimoramento de legislações, alocação de recursos e planejamento, implementação e monitoramento de programas e projetos etc.

Este conceito foi proposto pela primeira vez em 1985, durante a III Conferência Mundial da Mulher. Mas, apenas em 1995, dez anos depois, foi formalmente apresentado na IV Conferência Mundial sobre a Mulher, em Pequim. Durante o evento o termo  gender mainstreaming foi utilizado a fim de promover uma análise baseada nas questões de gênero sobre as implicações de ações políticas dos Estados.  Ou seja, essa conferência foi um marco para o desenvolvimento das políticas públicas de gênero, pois chamou atenção dos lideres mundiais para um ponto, que hoje parece óbvio,  o impacto das políticas públicas sobre problemas de gênero e a promoção da igualdade.

Outro marco importante da Conferência de Pequim é que durante esse evento o conceito  gender mainstreaming também trouxe para pauta o reconhecimento das questões de mulheres enquanto questões de gênero. Assim, o foco passou das mulheres para o conceito de gênero, promovendo uma postura onde toda a estrutura da sociedade entre homens e mulheres passam a ser questionadas, ou seja, “[...] As relações entre mulheres e homens passam a ser vistas [...] levando em conta os papéis socialmente atribuídos a cada um dos gêneros na sociedade, no trabalho, na política, na família, nas instituições e em todos os aspectos das relações humanas.” (MIRANDA; PARENTE, 2014, p.241)

O conceito de gender mainstreaming além de chamar atenção para as questões de gênero incorpora também, dentro de si, o conceito de empoderamento das mulheres e transversalidade das questões de gênero, como elementos base a serem considerados na hora da construção de programas e projetos voltados para promoção da igualdade de gêneros. O empoderamento tem um papel essencial de promoção da mulher, sendo um meio para promoção das mulheres " [enquanto] atrizes políticas, como agentes históricos capazes de adquirir controle sobre o seu destino, sobre decisões referentes à sua vida sexual e reprodutiva, e que o governo e a sociedade devem criar as condições para tanto e apoiá-las nesse processo.” (MIRANDA; PARENTE, 2014, p.422)



 Já a ideia de transversalidade de gênero visa assegurar que a perspectiva de gênero passe a integrar todos os aspectos das políticas públicas, em todas as dimensões de atuação dos governos nacionais. O ponto central aqui é que não existam apenas órgãos governamentais especializados em políticas para mulheres, mas sim que todo o aparato estatal contribua, atue e inclua em seus projetos a promoção da igualdade de gênero. 
O uso da abordagem de gender mainstreaming  também permite que os governos passem a adotar a ideia de que “para que uma política de igualdade seja bem-sucedida, precisa considerar a dimensão de gênero ao reconhecer que mulheres e homens têm papéis diferenciados nas sociedades e que esses papéis foram construídos pela cultura – e, portanto, podem ser desconstruídos em prol da igualdade...” (MIRANDA; PARENTE, 2014, p.424)

Gender Mainstreaming, we Love this Idea!!!!

Essa ideia é genial não é mesmo, afinal a chave para a promoção eficaz da igualdade de gênero pelas ações dos governos é permitir que as questões de gênero e a perspectiva de gênero perpasse todos os órgãos, programas e ações públicas do Estado... 
Mas, nem tudo é flores, não é mesmo?! O mais triste, lindas e lindos é que pesquisando para escrever esse post percebemos que pouco conteúdo sobre o tema pode ser encontrado em português, e são quase nulas as produções governamentais que abordam o tema. Apesar da inclusão da perspectiva de gênero nas políticas publicas brasileiras, o Brasil ainda precisa avançar muito para incorporar o  gender mainstreaming em todo o seu corpo governamental. Esse é um tema que o Brasil ainda precisa explorar, e muito!!

Enquanto no Brasil pouco se escreve sobre as aplicações da estratégia de gender mainstreaming, sites do governo alemão, holandês e de diversos países da Europa contam com arquivos de estudos e projetos especificamente nessa área. Mas, não vamos desanimar. Como mencionado neste e m diversos posts passados sempre mencionamos que todos os avanços políticos em questões de gênero não existiriam sem a força e atuação dos movimentos sociais. Então é seguir na luta, colega! Bota a cara no sol mana  e vamo que vamo...




Beijos de luxx

Referências bibliográficas:

MIRANDA, Cynthia M.; PARENTE, Temis G. Plataforma de ação de Pequim, avanços e entraves ao gender mainstreaming. OPSIS, Catalão-GO, v. 14, n. 1, p. 415-430 - jan./jun. 2014. Disponível em: <http://www.revistas.ufg.br/index.php/Opsis/article/viewFile/26330/17904>
WOHNLICH, Daniele L. Emergência do gender mainstreaming No Brasil: Colocando em prática seus conhecimentos ou novas estratégias femininas. Apresentado em Seminário Internacional Fazendo Gênero 10 Florianópolis, 2013. Disponível em: <http://www.fazendogenero.ufsc.br/10/resources/anais/20/1384795822_ARQUIVO_DanieleLopesW.pdf
UN WOMEN. Gender Mainstreaming. [S/D]. Disponível em: <http://www.un.org/womenwatch/osagi/gendermainstreaming.htm>
[S/A]. Supporting gender mainstreaming: the work of the Office of the Special Adviser on Gender Issues and Advancement of Women. Publicado em mar, 2001. Disponível em:< http://www.un.org/womenwatch/osagi/pdf/report.pdf> 


O feminismo e os homens: HeForShe e o lugar masculino no movimento.

O envolvimento de homens no movimento feminista é uma das mais polêmicas pautas de discussão interna do movimento. As opiniões sobre o assunto são muitas e diversas, passando por aquelas que acham que homens não deveriam participar do movimento at all e chegando naquela (que inclusive acreditamos ser a mais sensata) que defende a presença de homens no movimento feminista sim, porém com “fááááááárias” ressalvas.


Aquelas que defendem a existência masculina no movimento feminista acreditam que se devem deixar claros alguns pontos essenciais para a integridade do movimento. A primeira “condição” para que homens possam participar do movimento é mantê-los totalmente longe da frente feminista. Apesar de ser um movimento horizontalmente organizado, seria ilógica a ocorrência lideranças masculinas em um movimento que busca a equivalência social de gênero devido à depreciação feminina em uma sociedade aaaaaaaaaaltamente patriarcal. Além disso, é importante afastar aqueles que procuram o movimento feminista para pegar mulheres ou para simplesmente para se mostrar engajado para uma mulher (sim, minha cara, temos babacas desse naipe respirando nosso ar). Há também aqueles casos clássicos de homens “feministas” que realmente acreditam que podem ensinar mulheres a militar corretamente. A presença de homens no movimento feminista de rua é estimulado, desde que eles não tratem o ato como uma micareta, se fantasiando com batom e roupas femininas para tentar “””””representar as mulheres”””””.

Optamos por manter nossa pele com o mínimo de rugas de stress possíveis e vamos apenas olhar pra esses exemplos apresentados com um olhar digamos, de questionamento, para podemos prosseguir com nossa discussão.




Mas e aí, você que é homem e está nos lendo agora. Tá na dúvida de como ser feminista sem ferir o movimento? Claro que você está, é normal! Entre homens e mulheres, basicamente ninguém nasceu dentro do feminismo para saber tudo, pelo contrário, gradativamente, o feminismo nasce em você. Bom, se tá complicado ainda é por que você está no caminho certo! Para te dar aquele help, que tal seguir as dicas da Nádia Lapa, escritora da Carta Capital?


  • Nos seus ambientes masculinos, introduzindo o feminismo. No futebol com os amigos, no boteco, no café no intervalo na firma;
  • Não compartilhando, de jeito nenhum, imagens que diminuem a mulher ou que obviamente eram para uso íntimo e "vazaram" por um ex vingativo;
  • Posicionando-se contra seu colega de trabalho/faculdade/familiar que agrediu uma mulher;
  • Se ela estiver sozinha ou sem apoio, indo com ela a uma Delegacia da Mulher;
  • Propondo programas de equidade de gênero na empresa em que trabalha;
  • Não tratando a Marcha das Vadias como Carnaval ou micareta, se vestindo de mulher e passando batom. Ser mulher é muito mais difícil que isso. Proponha ao coletivo, por exemplo, ajudar na segurança da Marcha;
  • Compartilhando tarefas domésticas;
  • Não duvidando da palavra de uma mulher que foi vítima de agressão. Ela precisa de apoio, não de julgamento;
  • Se uma conhecida estiver bêbada na balada, certificando-se que ela chegou sã e salva em casa;
  • Deixando a mulher falar. A fala é dela. Não interrompa. Nunca. Ouça tudo;
  • Em hipótese alguma culpe a TPM por uma insatisfação real da sua amiga ou parceira;
  • Deixando de adquirir produtos e serviços que objetificam mulheres;
  • Parando de zoar o próprio filho ou o sobrinho por este querer um brinquedo que não é "de menino";
  • Abandonando de vez os xingamentos sobre a vida sexual da mulher (vadia, periguete, piranha).


             Você pode engrandecer sua mente lendo o artigo completo aqui!


Fizemos esse breve esclarecimento sobre o papel dos homens no movimento feminista pois trataremos agora de nosso assunto principal. O programa HeForShe, criado pela ONU para dar mais força ao movimento feminista.

O HeForShe, chamado no Brasil de “ElesPorElas”, consiste em um órgão que canaliza a vontade de homens de todo o mundo em contribuir para a elevação do gênero feminino ao status de igualdade para com o masculino, uma vez que estes tem ciência da discrepância social que é ser mulher em uma sociedade patriarcal em todas as esferas possíveis, como a de segurança, emprego, mídia e etc. Através do HeForShe, pessoas de todo o mundo podem se inscrever gratuitamente para fins de se somar aos milhares de homens que apoiam a causa. No site da iniciativa, é possível acompanhar um mapa que informa a quantidade de homens inscritos em cada país, o que traz força para o movimento. Ainda é possível adquirir produtos como camisetas e broches ou fazer doações diretas, que serão direcionadas para políticas voltadas para as mulheres em todo o mundo.




A campanha da ONU traz a atuação masculina para o movimento feminista na medida certa. Não serão eles os protagonistas, todo o mérito que eles receberão será limitado ao mérito colaborativo, o que não é, de fato, negativo. Muitos homens questionam o movimento feminista pois acreditam que este quer se lançar sobre suas existências e apenas alternar as alocações de oprimido e opressor. Todavia, campanhas como o HeForShe, aliadas à educação e políticas publicas voltadas para as mulheres, tem um potencial enoooooorme de mudar esse paradigma patriarca. É uma questão de ação, posicionamento e PRINCIPALMENTE, respeito, pois parça, O FEMINISMO É DELAS!

Bibliografia:



PATROCÍNIO, Carol. 2015. LUGAR DE MULHER. No meu feminismo tem homens, assim como no resto do planeta. Disponível em: <http://lugardemulher.com.br/no-meu-feminismo-tem-homens-assim-como-no-resto-do-planeta/>. Acesso em 15 de Out 2015.

MARQUES-SAMEN, Henrique. 2013. BLOGUEIRAS FEMINISTAS. Homens (pró-)feministas: aliados, não protagonistas. Disponível em: <http://blogueirasfeministas.com/2013/04/homens-pro-feministas-aliados-nao-protagonistas/>. Acesso em 15 de Out 2015.

LAPA, Nádia. 2013. CARTA CAPITAL. O papel dos homens no feminismo. Disponível em: <http://www.cartacapital.com.br/blogs/feminismo-pra-que/o-papel-dos-homens-no-feminismo-4622.html> Acesso em: 15 de Out de 2015.

HeForShe. Disponível em: <http://www.heforshe.org/> Acesso em 15 de Out de 2015.


LUGAR DE MULHER. He For She: se não agora, quando? Disponível em: <http://lugardemulher.com.br/he-for-she-se-nao-agora-quando/> Acesso em: 15 de Out de 2015

Políticas de proteção à mulher: Lei Maria da Penha e o que aprendemos so far

Ola queridxs!
Já sabemos que a violência existe desde que o mundo é mundo e ocorre em todos os países e níveis sociais, de diferentes maneiras. Hoje vamos nos ater a comentar sobre o problema da violência ocorrida mais especificamente com as mulheres, no Brasil, e quais políticas já foram articuladas com vistas à proteção da mulher no país. 

 
Além disso, o que é ainda mais grave, é que essa violência contra a mulher acontece em casas, na esfera íntima, entre maridos e mulheres, namoradxs, famílias. No gráfico abaixo é gritante a proporção em que em 82,82,% dos casos a relação entre vítima e agressor é afetiva. Ou seja, namorados praticam violência com suas parceiras (COMPROMISSO E ATITUDE, 2015).


Fonte: COMPROMISSO E ATITUDE, 2015

Vale dizer que 'violência' não diz respeito apenas à agressão física mas também à:
violência psicológica - conduta que cause dano emocional à vítima
violência sexual - conduta que constrange a vítima a realizar relações sexuais sem seu consentimento
violência patrimonial - conduta que retenha ou destrua qualquer bem da vítima, sendo estes instrumentos de trabalho, objetos pessoais, recursos econômicos, dentre outros.
violência moral - conduta de difamação, humilhação ou injúria à vítima (PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA,2006).
 
Digamos que a política "carro-chefe" de proteção à mulher consiste na Lei Maria da Penha que a Violência Doméstica como um ato de violação aos Direitos Humanos. Portanto baseia-se prevenção da violência doméstica e familiar contra as mulheres.

A Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) representa uma grande conquista dos movimentos feministas em busca da erradicação, prevenção e punição da violência contra a mulher. Ela é o resultado de muitos anos de luta para que as mulheres brasileiras pudessem dispor de um instrumento legal próprio que assegurasse seus direitos e para que o Estado brasileiro passasse a enxergar a violência doméstica e familiar contra a mulher (SECRETARIA DE POLÍTICAS PARA AS MULHERES, 201, p.01).
 
 
Até o ano de 2014, oito anos após a criação da Lei, era perceptível a procura e denúncia das mulheres vítimas às autoridades cabíveis. Esse processo facilita o mapeamento da violência. Cresceu em 20% o número de mulheres que denunciam a violência sofrida por elas e, desde o ano de criação da Lei, registrava-se cerca de 3,6 milhões de ligações por denúncia (LEI MARIA DA PENHA..., 2014).
 
 
Já é um passo gigante né?! 
Mas é claro que o problema maior ainda não se resolveu. A violência continua porque ainda reverbera o pensamento de que a mulher, apenas por ser mulher, tem que se submeter aos desejos do homem, ou do seu marido, ou de seu pai, ou de seu tio e etc. Ainda vivemos em uma sociedade pautada por regras basicamente patriarcais. Daí a importância da reeducação, ou do reconhecimento do agressor enquanto puro e simples agressor. É importante a desconstrução de uma cultura pautada nestes valores. E políticas e leis como a Lei Maria da Penha são responsáveis por demonstrar ou clarificar uma realidade que agride os direitos fundamentais da mulher, o que consequentemente aumenta a visibilidade da violência e faz com que autoridade políticas e mesmo a população perceba os perigos e a incidência da violência doméstica e feminina.
A garantia dos direitos protetivos à mulher, portanto, devem ir além da criação de leis, pois na prática as coisas podem ser diferentes. Mesmo assim, há que se comemorar, já que legalmente é reconhecida a proteção feminina. Vale citar a Política de Enfrentamento à Violência contras as Mulheres que tem como objetivo garantir o estabelecimento de diretrizes e ações de prevenção à violência baseando-se nos Direitos Humanos e legislação Nacional e explicita os fundamentos de orientação e criação de Políticas Públicas focadas na violência contra a mulher (COMPROMISSO E ATITUDE, 2012).
Para acessar o Plano Nacional de Políticas para as Mulheres clique aqui

Beijos de luz e até a próxima!


 
 
Referências Bibliográficas
COMPRIMISSO E ATITUDE. Dados e Estatísticas sobre violência contra as Mulheres. Disponível em: <http://www.compromissoeatitude.org.br/dados-e-estatisticas-sobre-violencia-contra-as-mulheres/> 
 
COMPROMISSO E ATITUDE. Política Nacional de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres. 2012. Disponível em: <http://www.compromissoeatitude.org.br/politica-nacional-de-enfrentamento-a-violencia-contra-as-mulheres/>
 
 RBA. LEI MARIA DA PENHA completa oito anos e amplia proteção às mulheres. 2014. Disponível em: <http://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2014/08/lei-maria-da-penha-completa-oito-anos-e-numero-de-denuncias-cresce-3123.html>
 
SECRETARIA DE POLÍTICAS PAR AS MULHERES. Lei Maria da Penha. 2011. Disponível em: <http://www.spm.gov.br/assuntos/violencia/lei-maria-da-penha/lei-maria-da-penha-indice>
 
PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA. Lei Maria da Penha. 2006. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11340.htm >
 

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Mãe e aluna: creches nas Universidades Públicas Brasileiras

Olá queridxs, hoje vamos falar sobre creches e apoio estudantil para mães estudantes.  Pode parecer um assunto distante da sua realidade – caso você não seja mulher, ou mãe- mas, a verdade é que qualquer uma de nós, jovens universitárias, poderíamos ficar grávidas durante a graduação, ou estudos de pós, mestrado etc.

E a verdade é que na atual realidade de brasileira isso significaria, para muitas, o abandono dos estudos. Infelizmente não encontramos no Brasil, um sistema de políticas públicas efetivas para o atendimento de mães universitárias. Apesar dos pequenos avanços, ainda são poucas as Universidades Públicas que oferecem creches ou qualquer tipo de apoio estrutural ou financeiro para as mulheres que são mães e estudantes.

Em países como o Canadá e Estados Unidos, diversas universidades oferecem serviços de creche e para os filhos de jovens estudantes. Tudo bem, você pode me dizer que muitas universidades nesses países não são públicas e por isso são capazes de oferecer esse tipo de serviço. PARA TUDO COLEGA, existem programas públicos, ou seja, gratuitos. Existem também programas de creches com mensalidades determinadas a partir do estudo socioeconômico de cada família, ou seja, os pais pagam aquilo que podem e tem acesso a creches de boa qualidade. Mais legal ainda é que, esses serviços se estendem não apenas ao ensino superior. Existem diversas unidades de ensino médio que são preparadas para atender adolescentes grávidas e jovens mães.

Mas, voltando aqui pro cenário brasileiro...

Aqui a realidade é bem diferente. Como já citamos em um post anterior, as mulheres são, atualmente, a maioria entre os que ingressam em cursos superiores. Apesar disso, são as que mais sofrem para conseguir concluir seus cursos dentro do tempo previsto. Dentre os diversos fatores, que se tornam desafios para as mulheres concluírem seus estudos, se destaca a ausência de uma “uma política afirmativa de assistência para as estudantes mais necessitadas”. Com destaque ainda maior para a situação das estudantes mães, que não conseguem, muitas vezes, conciliar os estudos com os cuidados dos filhos.


Segundo a ANDIFES Associação Nacional Dos Dirigentes Das Instituições Federais De Ensino Superior, muitas jovens estudantes não tendo com que deixar seus filhos, enquanto estão nas salas de aulas, se veem obrigadas a trancar suas matrículas e até mesmo abandonar o curso superior. Segundo pesquisa realizada pela associação, em 2011, 68% dos trancamentos de matrícula são por licença maternidade. A pesquisa mostrou ainda, que cerca de 40% das estudantes que são mães fazem uso das creches universitárias, nas 19 instituições que oferecem esse serviço.  O que o estudo não mostra, mas é fato, é que as jovens universitárias que não fazem uso do serviço de creche, não o fazem, simplesmente porque não existem vagas suficientes para atender a demanda. 
  
E, infelizmente,  o número de universidades que oferecem o serviço de creche ainda é muito pequeno... 

No inicio deste ano o caso de uma aluna da USP se tornou notícia quando esta jovem mãe foi assistir a aula com seu filho no colo.  Ela declarou que,

“Já usei todo o tempo de trancamento que poderia, 3 anos. Tenho que voltar ou perco a vaga. Não tenho escolha”, conta a estudante. “Além da questão financeira, de eu precisar trabalhar e o Chico precisar de um ambiente mais adequado pra idade dele, eu preciso voltar pra graduação ou vou perder tudo o que fiz até hoje.” (FEMMATERNA, 2015)

O mais triste é que essa mulher não é uma exceção, existem milhares de jovens que se veem na mesma situação, diariamente. E esse modelo atual, onde as jovens estudantes – e isso vale também para mulheres que são mães e trabalham fora de casa – não têm onde deixar seus filhos é resultante de uma sociedade patriarcal onde historicamente a mulher tem sido excluída do espaço público. Uma sociedade onde o papel da mulher se limita apenas aos afazeres domésticos, a educação dos filhos e desejos do marido. Mas o mundo está mudando (ALELUIA), a custa de muita luta a mulher tm alcançado seu espaço no mercado de trabalho e nas instituições de ensino, brasileiras. Mas, infelizmente nosso Estado e sociedade não têm avançado junto com a trajetória das mulheres. Não conseguindo,portanto, oferecer suporte e serviços eficientes que atendam as necessidades da nova realidade da mulher, mulher que tem direito de trabalhar, direito de estudar, direito de ser mãe, de ser mãe e estudar e trabalhar ao mesmo tempo.

Em 1972, na UFRGS, foi criada a primeira creche em universidade federal, como consequência da eclosão de vários movimentos sociais na década de 70. De lá pra cá o número de creches aumentou, entre os anos 1980 e 1992, por exemplo, foram inauguradas outras 15 creches. Apesar disso, o ritmo e de criação e a quantidade de creches universitárias ainda está muito abaixo da necessária. Atualmente existem ativas cerca de  29 creches em Instituições Federais de Ensino Superior, que  não conseguem atender a demanda de universitárias, servidoras e comunidade em geral. 

Além da oferta de creches em si, deve ser pauta de discussão auxílio financeiro ou auxílio-creche. O auxilio creche, por exemplo, é um auxilio financeiro que algumas instituições de ensino superior oferecem para complementar a renda de jovens estudantes que são mães. O auxilio é destinado ao pagamento de creches. A UFPR (Universidade Federal do Paraná) presta esse auxílio deste 2013. Porém, o número de jovens atendidas ainda é muito pequeno. Em 2014, 42 estudantes foram aprovados para receber a bolsa... muitos ainda ficam de fora do programa.

Fica claro que o Estado precisa trabalhar em políticas públicas para suporte de mães universitárias e a criação de novas creches para atender a demanda que tende a crescer conforme as mulheres avançam na sua participação em instituições de ensino superior. A criação de novas creches e políticas publicas de assistência a mães universitárias é uma medida urgente e necessárias. As creches são essenciais para permitir que as mulheres consigam terminar seus estudos, além de ser um direito da criança que precisa de assistência e ambiente adequado para crescer e se desenvolver. Por fim,  para promover uma universidade popular, para permitir o acesso igual a todos a um ensino superior de qualidade é preciso pensar na inclusão de jovens mães, porque as mulheres chegaram nas Universidades e não vão sair de lá não minha gente!! Todo lugar é lugar de mulher :D 

Referências Bibliográficas:

ANFIDES. Perfil Socioeconômico e Cultural dos Estudantes de Graduação das Universidades Federais Brasileiras. Fórum Nacional de Pró-Reitores de Assuntos Comunitários e Estudantis (FONAPRACE). Brasília - 2011. Disponível em: <http://www.andifes.org.br/wp-content/files_flutter/1377182836Relatorio_do_perfi_dos_estudantes_nas_universidades_federais.pd>
 HALABI, Giulia. Auxílio financeiro permite que mães estudantes terminem a graduação. Publicado em 16 de set, 2014. Disponível em: <http://www.jornalcomunicacao.ufpr.br/auxilio-financeiro-permite-que-maes-estudantes-terminem-a-graduacao/>
PIRES, Yuri. Pelo direito de trabalhar e estudar: creche universitária já!. Publicado em 3 de set , 2012. Disponível em: <https://rebelesenaune.wordpress.com/2012/09/03/pelo-direito-de-trabalhar-e-estudar-creche-universitaria-ja/>
RAUPP, Marilena D. Creches nas universidade federais: questões, dilemas e perspectivas. 2004. Disponível em:<http://www.scielo.br/pdf/es/v25n86/v25n86a10.pdf>
VIEIRA, Amanda. Ampliação de creches nas universidades é necessária para garantir autonomia das mulheres. Publicado em 1 de mai, 2015. Disponível: <http://femmaterna.com.br/ampliacao-de-creches-nas-universidades-e-necessaria-para-garantir-autonomia-das-mulheres/>





segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Outubro Rosa: Conscientização, Sororidade e luz, muita luz!

A cor de rosa desde sempre é considerada uma cor exclusiva das meninas, de uso único e inquestionável feminino. Esse paradigma das cores é motivo para uma longa e profunda discussão sobre as imposições sociais que as mulheres devem engolir e continuar a sorrir, porém hoje nós não lamentaremos tal associação, única e exclusivamente pelo fato de pessoas MARAVILHOSAS terem conseguido dar um novo significado para a relação das mulheres com a cor de rosa: O OUTUBRO ROSA.



Pra quem não conhece, o Outubro Rosa trata de uma iniciativa anual para fomento à prevenção do câncer de mama, principalmente em mulheres com faixas etárias consideradas de alto risco de vulnerabilidade para a doença. O mês escolhido para levantar a campanha foi outubro, temporalmente distante do mês das mulheres (março), logo acreditamos que a escolha do mês foi estratégica e benéfica, pois não se confunde com nenhuma outra data relacionada às mulheres, mães, etc., o que traz originalidade e maior visibilidade para a campanha.

Surgido nos EUA, onde vários Estados tratavam isoladamente da questão do câncer de mama e/ou mamografia durante o mês de outubro, o que posteriormente foi aprovado pelo Congresso Americano a oficialização do mês de outubro como sendo o nacional (americano) para se tratar de tal questão.


O laço rosa, símbolo da campanha, é de autoria da Fundação Susan G. Komen for the Cure, que produziu e distribuiu lacinhos cor-de-rosa para os participantes da primeira Corrida pela Cura, que aconteceu em Nova York, em 1990. Em 1997, entidades das cidades de Yuba e Lodi no EUA, deram início efetivo às comemorações e ações de prevenção do câncer de mama. Todas as ações era e são até hoje direcionadas a conscientização da prevenção pelo diagnóstico precoce.


As ações do Outubro Rosa cresceram progressivamente. Inicialmente apenas como uma campanha eventual, o movimento ganhou força e conseguiu germinar sementes em vários pontos do globo, estando entre os de maior destaque, ações realizadas no Brasil. A maior marca de divulgação da campanha é a iluminação cor-de-rosa de pontos turísticos ou pontos visualmente chamativos. O apelo visual é impactante, pois observar a “cor de menina” associada a monumentos colossais, passa a mensagem da força feminina e da importância da preocupação com o câncer de mama.


Além da iluminação, campanhas midiáticas e realização de eventos como a pedalada ocorrida em plena Avenida Paulista no dia 04 de Outubro, a campanha promove a circulação de unidades móveis de mamografia para aumentar o acesso ao exame por parte de comunidades carentes que não contam com o aparelho em suas unidades de saúde popular. Os mamógrafos móveis são caminhões equipados para realizar a mamografia. Eles estão percorrendo cidades para levar o exame às regiões onde não existe o equipamento ou onde a demanda é muito grande. Assim, todas as mulheres terão a oportunidade de realizar a mamografia.

O estado de Minas Gerais desenvolveu uma campanha que utiliza de modernos recursos de marketing para ajudar na promoção do Outubro Rosa. Nomeada #NaoEnrolaSueli, a campanha publicitária desenvolvida para o Outubro Rosa 2014 traz a personagem "Sueli" como protagonista. Com o tema "Não enrola, Sueli", as peças incentivam as mulheres na idade de risco a fazerem a mamografia. 

Vídeo da campanha:


Bibliografia:
http://www.saude.mg.gov.br/outubrorosa
http://outubrorosa.org.br/historia/
http://ww5.komen.org/WhatWeDo/AroundtheWorld/AroundtheWorld.html