domingo, 13 de setembro de 2015

O que mais da metade do corpo discente das Universidades brasileiras pode esperar do mercado de trabalho?


Sim, as mulheres são, atualmente, maioria entre os que ingressam e concluem cursos superiores. De acordo com o Portal Brasil, em 2014, do total aproximado de 6 milhões de matrículas em unidades de Ensino Superior, 3,4 milhões foram de mulheres, contra 2,7 milhões do sexo oposto.  No que diz respeito à conclusão dos cursos, uma pesquisa realizada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) aponta que, no ano de 2013, 491 mil alunas formaram-se, enquanto 338 mil homens terminaram seus cursos em 2013. Esses dados são lindos não é mesmo?! Afinal há apenas poucas décadas atrás as mulheres não tinham sequer acesso às Universidades.

Mas, e ai? Essas mulheres ingressam em cursos superiores, conseguem enfrentar o machismo dentro da sala de aula, concluem seus cursos e quando pensamos que o pior já passou, elas têm enfrentar novos desafios, o mercado de Trabalho! Construir uma carreira de sucesso e garantir espaço no mercado de trabalho já é uma tarefa difícil em si só, especialmente no mundo competitivo e capitalista – e de crise, diga-se de passagem – em que vivemos.  Se não bastassem as dificuldades comuns do dia-a-dia, as mulheres ainda sofrem e tem que enfrentar inúmeros desafios, que obviamente só existem devido ao modelo de machista de sociedade em que vivemos.

Eu poderia passar dias escrevendo sobre esses problemas. Poderia, por exemplo, falar sobre empresas que não contratam mulheres, simplesmente porque um dia elas podem engravidar e isso prejudicaria a empresa, já que ninguém quer pagar a licença à maternidade e ter uma funcionária com “outros focos”, além do trabalho. Poderia também, gastar linhas infinitas falando sobre a falta de creches e suporte para mulheres que precisam trabalhar e/ou estudar. Poderia falar sobre o assédio sexual dentro do ambiente de trabalho. Sobre as infinitas piadas sobre TPM, o “sentimentalismo” feminino e todos os outros mitos –absurdos– sobre mulheres que trabalham.  Infelizmente são inúmeros os problemas que precisamos enfrentar para tornar o mercado de trabalho um lugar de igualdade entre gêneros...

São muitos os desafios que essas jovens profissionais têm que superar. Desafios e desigualdades. E é exatamente sobre essa desigualdade no mercado de trabalho que queremos falar hoje.  Digamos que, vamos falar sobre tudo isso citado ai em cima, mas em termos gerais – prometemos soltar a língua sobre cada um desses temas em posts futuros, combinado?!  

Mas, mantendo o foco, prontas e prontos para ficarem indignados nessa tarde de domingo? Vamos lá então! Fazendo a nossa pesquisa semanal sagrada, nos deparamos com dados que fazem qualquer boa/bom feminista perder uma boa quantidade de fios de cabelo!! Apesar de representarem mais da metade dos universitários, as mulheres encontram-se negativamente afetas na maioria dos índices do mercado de trabalho. Estamos falando de questões como renda, bem-estar, saúde, tempo livre etc.

No Brasil, a taxa de participação de mulheres no mercado de trabalho é de 49,3%, comparada com um taxa de participação masculina de 58,9% (IBGE, 2013). Observa-se ainda, que a taxa de desemprego é maior entre as mulheres, principalmente mulheres negras. Sobre as desigualdades salarias, basta dizer que, no Brasil, a diferença média na renda entre homens e mulheres, que ocupam um mesmo cargo, pode variar entre 30% e 78%, a depender da idade e da raça (IPEA, 2011). Sobre os cargos exercidos pelas mulheres, observa-se uma sob-representação de mulheres em cargos precários, domésticos e informal (Panorama Laboral da América Latina e do Caribe, 2013).

Ainda sobre a desigualdade de genero no mercado de trabalho, a ONU Mulher, constatou em seu último relatório, Progresso das Mulheres no Mundo 2015-2016: Transformas as economias para realizar os direitos, que o Brasil foi  destaque na luta contra a desigualdade gênero, destaque que deve-se principalmente devido as politicas públicas e programas sociais (como o Bolsa Família, que comentamos no post anterior). No entanto, apesar do destaque, o Brasil está longe de atingir as estatísticas esperadas. Na avaliação da ONU, as mulheres tiveram avanços no mercado de trabalho em todo o mundo, mas elas continuam ocupando empregos com menores remunerações e baixa qualidade, além de ser alvo das condições mais precárias de saúde, acesso à água e saneamento.

O mais interessante é que, como tudo no mundo, uma coisa leva a outra. Essa semana, por exemplo, foi aprovada a proposta de emenda à Constituição (PEC 98/2015) que reserva a cada gênero um percentual mínimo de cadeiras nas representações legislativas (AAEWWW). Estamos trazendo esse exemplo de uma pequena conquista na luta feminista, porque junto com as comemorações sobre a aprovação dessa emenda são levantados também os debates acerca da sub-representação das mulheres em cargos eletivos.

E nesse sentido, a Margaret Coelho, vice-governadora do Piauí, levantou em um pequeno vídeo uma questão intrinsicamente ligada com a desigualdade no mercado de trabalho, que obviamente se espalha para cargos públicos e cargos eletivos. A vice-governadora apontou que as mulheres GANHAM MENOS QUE OS HOMENS, ou seja, tem menos dinheiro para desprender com gastos com campanhas e candidaturas. Assim, menos mulheres concorrem a cargos eletivos, diminuindo o número de mulheres eleitas e consequentemente diminuindo a representação da mulher na política nacional. – Ah sim, aguardem cenas nos próximos capítulos, vamos falar sobre cotas de gêneros?!


Para quem ver na integra a fala da vice-governadora, deixamos disponível aqui, o vídeo completo:



Ou seja, o que esperar do mercado do trabalho? Infelizmente muita desigualdade e injustiça. Mas, isso deve apenas servir de força para que as mulheres, e todos que acreditam na igualdade de gênero, lutem pela igualdade de gênero no mercado de trabalho brasileiro e mundial. 

E cabe principalmente a nós, mulheres, expor as dificuldades e desigualdades que enfrentamos no dia-a-dia. Não podemos aceitar a sujeição a salários desiguais, tratamento desigual, assédio ou humilhação no mercado do trabalho. Avante à luta! Por salários justos, por direitos trabalhistas justos, por mais creches em empresas e Universidades... Vamos que vamos!!

Por fim, gostaríamos de terminar o post de hoje com a fala da linda e Diva Chimananda Ngozi Adichie que, simplesmente resume um grito dentro de muitas nós,

“Hire more women where there are few. But remember that a woman you hire doesn’t have to be exceptionally good. Like a majority of the men who get hired, she just needs to be good enough…

(Tradução: Contrate mais mulheres onde há poucas . Mas, lembre-se que uma mulher 
que você contratar não tem que ser excepcionalmente boa. Como a maioria dos homens que são contratados , ela só precisa ser boa o suficiente)

Essa frase mara, repito MARA, faz parte do discurso que a escritora Chimananda fez durante a colação de grau da turma de 2015 da Wellesley College, uma universidade feminina nos States. O vídeo completo você DEVE assistir aqui:



Bom, é isso que tem pra hoje queridxs, beijos de luz e até semana que vem!



Referência bibliográfica: 

BELLONI, Luiza. Como o Brasil está tentando diminuir a desigualdade de gênero no mercado de trabalho. Publicado em 27 de abri de 2015. Brasil Post. Disponível em: <http://www.brasilpost.com.br/2015/04/27/brasil-desigualdade-no-trabalho_n_7155486.html >
CAMPOS, Ana Cristina. Desigualdade de gênero no mercado de trabalho persiste, diz ONU. Publicado em 24 de abr de 2015. Empresa Brasil de Comunicação. Disponível em: <http://www.ebc.com.br/cidadania/2015/04/desigualdade-de-genero-no-mercado-de-trabalho-persiste-diz-onu  >
GONÇALVES,  Lorena Ferraz C.  Desigualdade entre gêneros no mercado de trabalho: desafio para o sindicalismo. [s/d]. Disponível em: < http://www.ugt.org.br/upload/iae/img2-Desigualdade-entre-generos-no-mercado-de-7287.pdf >
INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA.  Censo de educação Superior 2013. Ministério da Educação, 2014. Disponível em:<http://download.inep.gov.br/educacao_superior/censo_superior/apresentacao/2014/coletiva_censo_superior_2013.pdf
ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO. Panorama Laboral 2013: América Latina e Caribe. Publicado em 2014. Disponível em: < http://www.ilo.org/wcmsp5/groups/public/---americas/---ro-lima/documents/publication/wcms_232760.pdf
PORTAL BRASIL. Mulheres são maioria no ingresso e na conclusão de cursos superiores. Publicado em 08 de mar de 2015. Disponível em: < http://www.brasil.gov.br/educacao/2015/03/mulheres-sao-maioria-no-ingresso-e-na-conclusao-de-cursos-superiores >
REDFERN, Corinne. Chimamanda Ngozi Adichie's Speech On 'Being Liked' Might Change Your Whole Life. Revista Marie Claira Online. Publicado em 03 de jun de 2015. Disponível em: < http://www.marieclaire.co.uk/blogs/549467/chimamanda-ngozi-adichie-gave-a-speech-about-feminism.html#EkR6Y3xhEJMCGK21.99 >
UN-WOMEN. Progress of the world’s women 2015-2016. Publicado em 2015. Disponível em: < http://progress.unwomen.org/en/2015/pdf/UNW_progressreport.pdf

Nenhum comentário:

Postar um comentário