sexta-feira, 18 de setembro de 2015

PUTA: Políticas públicas e a prostituição.

Corriqueiramente usada com conotação ofensiva, o simples uso da palavra “puta” associada a algum ente querido, comumente a mãe, significa uma ofensa sem igual. Mas qual seria o motivo de tamanho peso de uma palavra de quatro letras, simples e que existe em todas as línguas? Puta!

A prostituição ocupa hoje a escória da sociedade. Prostitutas são constantes alvos de violência de todos os tipos, estando expostas durante as noites e sendo taxadas como seres sujos, sub-humanos e sem o menor merecimento de compaixão. Mesmo o fato da prostituição ser a primeira profissão remunerada registrada na história claramente não traz força, respeito e apoio social para inúmeras mulheres que sustentam suas vidas e famílias através do sexo contratado. O interessante é que essa concepção negativa dada à prostituição é, de fato, tão nova quanto os dedos daqueles que apontam.
Sagradas, respeitadas e admiradas! Isso é o que as profissionais do sexo eram em vários pontos da história. Na Grécia antiga e no Egito, por exemplo, onde as mulheres eram confinadas física e psicologicamente, aquelas que se tornavam meretrizes eram louvadas pela sua liberdade sexual e financeira. O ponto no qual queremos chegar é a evidente a culpa do patriarcalismo instaurado através dos séculos, que repudia a independência financeira e principalmente sexual das mulheres.

A ausência de cuidado do Estado com é grande. As forças que defendem o respeito e a cobertura do Estado para com a prostituição batem de frente - principalmente em países muito religiosos, mesmos que laicos – com o conservadorismo sólido e apoiado em tradições de moral patriarcal. A legislação brasileira sobre a prostituição é vaga e pouco útil, uma vez que permite apenas que mulheres (não, não tem legislação sobre prostituição de outros gêneros) se prostituam a céu aberto, na rua, sem poder fazê-lo legalmente em uma casa ou algum lugar mais seguro.

A partir deste ponto, gostaria de chamar-lhe a atenção para uma pequena mudança nessa publicação. Não utilizaremos mais nenhum substantivo para nos referenciar à elas a não ser a simples palavra PUTA, pois:



Fala a verdade? Não da vontade de beijar a mão dessa senhora? Maravilhosa! Exemplo forte e sólido de aceitação e orgulho. Todo nosso carinho por você, Dona Gabriela, puta!

Enfim, entre as possíveis (e necessárias) políticas públicas de proteção às putas, ressaltam-se programas de acesso educacional, proteção contra DST e de moradia, uma vez que grande parte das putas, principalmente as travestis, mora na rua ou em casa de cafetinas e condições precárias e sendo exploradas e não tem aceitação social suficiente para ter acesso à educação.

Um ótimo exemplo de política pública voltada às putas foi a ação, voltada para a Copa do Mundo no Brasil em 2014, da Associação de Prostitutas de Minas Gerais que providenciou aulas grátis de inglês para que as prostitutas de Belo Horizonte pudessem se comunicar sem problemas com os estrangeiros que visitaram a cidade.


BIBLIOGRAFIA:
https://www.youtube.com/watch?v=CvKkGPiXv0o
http://www.diariodasaude.com.br/news.php?article=politicas-publicas-prostituicao-nao-dao-espaco-cidadania&id=4198
http://revista.portalcofen.gov.br/index.php/enfermagem/article/view/4

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